quinta-feira, 27 de agosto de 2009

WOODSTOCK EM REVISTA

O jornalista Régis Tadeu escreveu matéria para o Yahoo falando sobre o festival de Woodstock. Achei, no mínimo, interessante, e por isso trago o texto na íntegra.

"Recentemente, começaram a pulular na mídia várias matérias fazendo alusão ao 40º aniversário do lendário festival de Woodstock. Tirando a "babação de ovo" de desinformados colegas de imprensa e os papos de hippies velhos, uma análise racional a respeito daquele que ainda é considerado o ápice dos grandes eventos musicais faz uma constatação óbvia: o mito de Woodstock se tornou infinitamente maior que o próprio festival.

Primeiro, é preciso deixar claro que o festival não foi criado para se tornar a celebração máxima do idealismo hippie, da contracultura ou que quer que fosse referente à atmosfera social da época. O evento era para ser um negócio como outro qualquer, que deverias reverter em lucros para os seus organizadores. O festival sequer chegou a ser feito em Woodstock realmente - tudo aconteceu na cidade de Bethel, em Nova York, distante 65 quilômetros do local que acabou batizando o evento. Chegaram a ser vendidos 186 mil ingressos - afinal de contas, a quantidade de boas atrações era realmente impressionante, mas quando a organização viu que 350 mil pessoas a mais compareceram ao local e que outras 900 mil estavam tentando chegar ao local - o que gerou um congestionamento de 30 km - a coisa saiu do controle. Quando a turba começou a demolir as cercas em volta da fazenda, todo mundo concluiu que a entrada dessa multidão excedente deveria ser liberada, a fim de se evitar uma tragédia.

Segundo depoimentos fidedignos de pessoas presentes, foram três dias de caos, chuvas, lixo, lama e lodo, sem a mínima infra-estrutura para tanta gente reunida. As condições de alimentação e higiene eram terríveis, não havia água, nem atendimento médico para socorrer as centenas de casos de overdoses de substâncias lisérgicas. Poucas foram as pessoas presentes que realmente viram o que foi apresentado em cima do palco. Os organizadores só escaparam de um prejuízo astronômico porque, espertamente, aceitaram a oferta do grupo Warner para cederem os direitos de gravação do festival.

Não estou dizendo que devemos desconsiderar o festival como um momento emblemático da trajetória do rock - e, por que não dizer, da música em geral - como forma de manifestação social, mas o conceito de contracultura da época acabou se refletindo nas gerações posteriores de uma maneira tão diferentes da proposta inicial que não dá para dizer que tenha sido o marco inicial de alguma coisa. Se o filme que captou o evento, dirigido por Michael Wadleigh e editado por um então jovem nerd chamado Martin Scorsese, terminou por espalhar o tal "idealismo hippie" ao mundo inteiro, a verdade é que Woodstock foi uma descoberta caótica e desregulada de algo novo por parte de quem apenas acompanhava a música à distância. Se alguns paradigmas foram demolidos com o final do evento, estes foram certos limites, que foram expandidos e resultaram na reorganização de algumas ideias - como a universalização da música e o redirecionamento dos discursos pacifistas -, mesmo que posteriormente se mostrassem impraticáveis.

Embora tenha tornado mítico o slogan "paz e amor", o festival mostrou que havia uma enorme demanda de público para a indústria do rock e isso não passou despercebido das gravadoras, das confecções de roupas e todos os outros setores que tivessem (ou não) a ver com música. Tanto isso é verdade que, mesmo passados 40 anos, surgem no mercado novas quinquilharias referentes ao evento, como uma caixa com quatro DVDs, CDs com as trilhas originais e relançamentos de gente que tocou no festival - como Santana, Sly & Family Stone, Johnny Winter e Jefferson Airplane -, livros, camisetas e o diabo a quatro.

Para milhares de pessoas, o festival de Woodstock foi o ambiente e o contexto da tentativa de se ministrar ao mundo os poderes da paz, do amor e da música universal. É uma pena que o evento tenha falhado miseravelmente - vide o que aconteceu na versão que rolou em 1999, que acabou em incêndios, estupros e atos de vandalismo explícitos. O que restou hoje foi apenas um saudosismo barato daquilo que poderia ter sido, mas não foi."

QUASE DUAS DÉCADAS SEM STEVIE RAY VAUGHAN

O tempo passa rápido, e hoje completamos dezenove anos sem o grande Stevie Ray Vaughan (foto), falecido em um estúpido acidente de helicóptero. O guitarrista tinha apenas 37 anos de idade.

O guitarrista seguia para uma apresentação no Alpine Valley Music Theater, onde na tarde anterior se apresentara junto com figurões como Robert Cray, Buddy Guy, Eric Clapton e seu irmão mais velho Jimmie Vaughan. Stevie encontrou um lugar vazio em um helicóptero com alguns membros da equipe de Clapton, e decidiu embarcar.

Em conseqüencia do céu extremamente nublado e da forte névoa, o helicóptero fez uma curva para o lado errado e foi de encontro a uma pista artificial de ski. Não houve sobreviventes. O mundo dos bons sons perdia ali um dos mais criativos e inspirados guitarristas que já passaram pelo planeta, e incrementou a jam session do além que já contava com vários nomes de peso.

Uma triste lembrança e um bom motivo prá aquela dose de Jack Daniels - ou de tequila - prá abrir o final de semana.

KISS TENTA "O MIGUÉ" EM CIDADE CANADENSE

É, meus caros nibelungos, os caras-pintadas do Kiss (foto) aprontaram uma das grandes, mas voltaram atrás, ainda bem. A confusão começou há meses atrás quando a banda deu início à um concurso que prometia levar o Kiss para a cidade que postasse mais votos pedindo sua presença.

Pois bem, Oshawa - a capital da produção automobilística no Canadá - ganhou de todas as grandes cidades do país, e de várias outras norte-americanas. E qual não foi a surpresa dos residentes ao descobrir que o Kiss não passaria por lá, quando um porta-voz da banda disse ao Toronto Sun que o show da Kiss Alive 35 Tour seria realizado em uma cidade maior, visando dar oportunidade a mais fãs de assistir a banda.

Milhares de pessoas provocaram uma verdadeira avalanche de e-mails e correspondência para o Kiss, além de inúmeras manifestações públicas - inclusive via youtube - cobrando o que lhes havia sido prometido. E não é que deu certo?

O Kiss anunciou um show na cidade de Oshawa no dia 07 de Outubro, a data de lançamento do aguardado "Sonic Boom". Ainda, a banda prometeu um evento especial para o lançamento do álbum naquela cidade.

AURAS: GUARDE BEM ESSE NOME!!!

O Brasil está entrando aos poucos no circuito internacional de shows de artistas do universo AOR/Melodic Rock, e aos poucos, bandas nacionais começam a estourar lá fora. Os cariocas do Highest Dream já conseguiram, mas os curitibanos da Auras (foto) fizeram mais barulho: são a primeira banda-sul-americana a assinar contrato com a toda-poderosa Frontiers Records, e acredite, os italianos tiveram bons motivos prá fechar com os caras. Num papo bacana de quase duas horas, troquei idéias com o vocalista Gui Oliver e o guitarrista Ferpa Lacerda, onde falamos de quase tudo. Se você curte AOR/Melodic Rock, guarde bem esse nome: Auras. O álbum desses caras estará na sua coleção, em breve...tenho certeza.

AWW: A cidade de Curitiba sempre foi citada quando o assunto é música, seja no estilo que for. Antes da Auras, algum de vocês fazia parte do circuito musical da cidade?

Gui: Anteriormente faziamos parte de uma banda cover chamada I ON U...

Ferpa: Eu e o Gui saimos da banda para formar o Auras.

Gui: Queriamos mostrar que éramos capazes de fazer nossas próprias músicas e não tocar músicas dos outros.

AWW: O renascimento do AOR/Melodic Rock não é recente. Desde a década de 90 tem surgido gravadoras especializadas, como a italiana Frontiers, a finada MTM da Alemanha e a britância Escape. A Europa se tornou, sem dúvida, o centro do mercado mundial do AOR/Melodic Rock nos últimos anos. Vocês acreditam que o mercado mundial vai absorver esse estilo mais uma vez?

Ferpa: Com certeza... as bandas que estavam desaparecidas ressurgiram... FM, Valentine, Mitch Malloy, House Of Lords... graças a estas gravadoras

Gui: E acho que o público esta cada vez mais receptivo a este estilo de música... agora as pessoas sabem que estas bandas estão amparadas por alguma gravadora.

AWW: Os últimos anos têm trazido grandes lançamentos, mas destaco o renascimento de bandas como o FM, Valentine, Honeymoon Suite e, claro, o Danger Danger. Mitch Malloy também retomou a carreira e em Outubro a Romeo’s Daughter se apresenta no Firefest, já com boatos de que vai rolar um novo álbum da banda. Como vocês vêem o retorno dessas bandas?

Ferpa: É legal, pois isso indica que ainda há mercado para essas bandas, inclusive abrindo porta para bandas novas como o Auras.

AWW: Como foi que o material de vocês chegou até a toda poderosa Frontiers?

Gui: Recebemos um email do Mario de Riso da Frontiers solicitando nossa demo... enviamos e duas semanas depois o Serafino (Peruggio, presidente da Frontiers) entrou em contato nos propondo um contrato.

Ferpa: A coisa mais legal que ouvimos do Serafino foi se gostariamos de ser a primeira banda sul-americana a assinar com a Frontiers.

AWW: Olha, vou dizer o que falei pro Mike Hass: o som de vocês me impressionou...mesmo... qualidade indiscutível, e só pelo sampler que ele me mandou.

Gui: Muito obrigado. Foi um trabalho de coração e alma.

AWW: Esse tipo de coisa não se fabrica...

Ferpa: Espere prá ouvir o resto... hehehehe

Gui: Realmente tivemos liberdade para criar e transmitimos em nossas músicas tudo aquilo que gostaríamos de passar para o público.

AWW: E dali até a MelodicRock foi uma transição natural?

Ferpa: tinhamos uma boa relação com o Andrew (McNeice), tanto que antes de a Frontiers nos contactar ele disse que gostaria de nos ter na Angel Milk

Gui: Mas quem tratou com o Andrew a respeito da música no MRCD5 foi o próprio Serafino,não tivemos nenhuma interferencia sobre isso.

AWW: Mas dá uma bela força prá divulgação do trabalho, hein...

Gui: Com certeza, tivemos uma resposta positiva do público

AWW: O álbum “New Generation” já está pronto, e conta com a mixagem do veterano Dennis Ward . O que vocês podem adiantar sobre o trabalho, de maneira geral?

Gui: O Serafino deu alguns nomes para fazer a mix e master do álbum... como conheciamos o trabalho do Dennis foi natural a escolha dele.

Ferpa: Ele foi muito competente e profissional,ficamos satisfeitos com o resultado.

AWW: Como foi o processo de gravação? Vocês gravaram o material aqui no Brasil e enviaram via e-mail ou chegaram a se encontrar com o produtor na Europa e gravaram por lá?

Ferpa: Gravamos aqui em Curitiba onde acreditamos ter mais liberdade para criar e se dedicar ao álbum... Quando nós enviamos a demo para a Frontiers tinhamos apenas 5 músicas, ou seja, teriamos que criar mais 8 músicas para completar o álbum.

Gui: Ou seja, compunhamos no fim de semana e na semana seguinte gravavamos a música... a cada semana tínhamos músicas novas.

Ferpa: Mesmo porque tinhamos um deadline a seguir.

Gui: "Beauty Of Dreams" foi a última música a ser composta para o álbum.

AWW: O álbum será lançado no Japão com a bonus track “Take It To The Limit”.Qual selo vai lançar o álbum por lá?

Gui: Ainda não sabemos, pois isso esta a cargo da Frontiers, mas estamos muito felizes por isso.

AWW: É outro mercado forte...

Ferpa: E agora a Frontiers irá lançar os albuns nos EUA

Gui: Temos vários fãs americanos.

AWW: Podemos esperar o lançamento desse álbum no Brasil?

Gui: Creio que sim.

AWW: O Brasil tem produzido AOR de qualidade,e a banda carioca Highest Dream é um exemplo. Existem outras tantas pelo país, mas me parece haver um desinteresse por parte da dita mídia em relação ao AOR/Melodic Rock por aqui. O mercado externo é a saída para as bandas brasileiras que trafegam pelo AOR/Melodic Rock?

Ferpa: Sim,com absoluta certeza.

Gui: No Brasil é aquela velha historia...tem que fazer sucesso lá fora para ter reconhecimento aqui dentro, infelizmente.

AWW: Ainda ontem postei uma matéria onde Neal Schon dizia que nos shows do Journey há muitas crianças e adolescentes,o que mostra uma renovação na base de fãs da banda. Essa geração vai ser capaz de trazer o AOR/Melodic Rock de volta às rádios, por exemplo?

Ferpa: Espero que sim... o Journey esta fazendo sua parte e nos pretendemos fazer a nossa.

Gui: Claro que em menor parcela...hehehehehe

AWW: O Brasil tem feito parte do circuito internacional, com gente do calibre de Ted Poley, House Of Lords, Jeff Scott Soto e Tyketto se apresentando no país. Qual o impacto que vocês, como músicos, vêem no mercado nacional em relação ao AOR/Melodic Rock?

Gui: Acho que está crescendo cada vez mais, e por outro lado é interessante pois tem muita gente que nunca tinha escutado essas bandas e esta tendo a oportunidade. Isso ajuda a fortalecer o estilo aqui no Brasil.

AWW: Falando em tantos nomes de peso, uma pergunta parece bastante pertinente: quais as influências da banda?

Gui e Ferpa: Journey, Chicago, Toto, Survivor, Bon Jovi, Def Leppard, Foreigner, Desmond Child, Kiss, REO Speedwagon, Elton John, Sam Cooke, A-ha, Seal, Tears For Fears, Prince...

AWW: Auras é um nome único. De onde veio a idéia para ele?

Gui: Gostaríamos de colocar um nome mundial na banda... e Auras significa a mesma coisa em várias linguas ... é um nome fácil de falar.

AWW: Depois do contrato com a maior gravadora do cenário AOR/Melodic Rock da atualidade, um álbum com lançamento no exterior, quais as expectativas da banda?

Ferpa: As mehores possiveis, já temos convites para shows na Europa, contrato para mais um álbum, compomos algumas músicas para o álbum solo do Fergie Frederiksen. E pretendemos também ter uma boa receptividade do público brasileiro, principalmente.

Gui: O mais importante é que acreditamos no nosso trabalho

AWW: Gui...Ferpa...agradeço a atenção...acredito que todos que passarem por aqui ficarão ansiosos pelo trabalho de vocês, e posso dizer sem medo que o material tem qualidade e vai agradar em cheio aos fãs do bom e velho AOR.

Gui e Ferpa: Muito obrigado Juliano por seu apoio e continue fazendo esse excelente trabalho. Qualquer novidade o Mike entra em contato com você, e esperamos vê-lo em breve em Curitiba .

AWW: A gente logo combina umas cervas prá falarmos dos bons sons. Cara, foi um prazer, e a AORWatchTower está aberta prá vocês.

Gui: Muito obrigado, estamos a disposição também.

Deixo aqui um agradecimento especial ao amigo Mike Hass, que descobriu a AORWatchTower e fez o meio de campo com a banda prá que essa entrevista se concretizasse. O álbum "New Generation" ainda não tem data de lançamento, mas o tracklist será o seguinte:

1) Beauty Of Dreams
2) Forgive And Forget
3) Never Give Up
4) In MyArms
5) Reach Out
6) New Generation
7) Forever In Your Eyes
8) Hungry Hearts
9) That's The Way Love Goes
10) Keep On Loving You
11) Out Of Love
12) Love To Survive
13) Take It To The Limit (Japan Bonus Track)

Além do vocalista Gui Oliver e do guitarrista Ferpa Lacerda, a Auras conta com o guitarrista Matheus Brandon, o baixista Hemerson Vieira e o batera Edu Sallum. Para mais informações, visite o myspace da banda em www.myspace.com/auraaor.

AVISO

Devido as chuvas aqui o sul da Terra Brazilis , não teremos a Recomendação Da Semana hoje. Retornaremos em breve...