sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

DEZ CLÁSSICOS ARRUINADOS PELO TEMPO

A divertida matéria a seguir foi publicada no Exclaim News, e pode ser lida em inglês clicando aqui. O pior de tudo é que existe uma grande dose de verdade no que segue, apesar de toas as canções serem excelentes, clássicas e obrigatórias em qualquer coleção respeitável de rock, mas confesso que senti a falta de "Starway To Heaven" do Led Zeppelin e "Smoke On Water" do Deep Purple. Acredito que ambas se encaixariam perfeitamente na lista abaixo.

Estas músicas são realmente maravilhosas. Para nós headbangers devotos, as músicas listadas abaixo não são somente as que formam este gênero musical maravilhoso e as suas diversas sub-categorias, mas também são canções que fazem parte de nossas vidas.

Infelizmente, por causa disto, eles também foram as mais executadas desde o seu lançamento. A verdadeira essência de sua grandeza se perde a partir do argumento de qualidade versus quantidade. Quanto mais você ouve, menos presta atenção nelas. E não é só isso, mas muitas dessas canções tornaram-se sinônimo de seus criadores e vice-versa. Algumas são sucesso até fora da comunidade Metal.

Aqui estão as dez músicas de Metal você nunca precisará ouvir outra vez, por vários motivos e principalmente por causa do que fizeram outras pessoas.

01. THIN LIZZY - “The Boys Are Back in Town” ("Jailbreak", 1976)
Phil Lynott
pode ter morrido de uma overdose de drogas, mas ele estava ouvindo a música "The Boys Are Back in Town" numa porcaria de desenho animado da Disney, e foi o que realmente o matou. Independentemente disso, se você não pode nomear três canções do Thin Lizzy (algo que a maioria dos headbangers podem facilmente fazer), muito menos um álbum diferente do "Jailbreak", então você não pode mais gostar de uma música como esta.

02. MARILYN MANSON - "Sweet Dreams (Are Made of This)" ("Smells Like Children", 1995)
15 anos atrás esta música parecia assustadora e funcionava muito bem como trilha sonora de filmes de terror. Foi interessante, na época, mas vamos ser honestos: Marilyn Manson consegue esfriar tudo que ele toca. Esta canção juntamente com o sensacionalismo próprio do Manson tornou-se algo que não precisa mais ser experimentado.

03. DANZIG - "Mother" ("Danzig", 1988)
Quando diabos Glenn "Misfits/Samhain" Danzig se tornou um maldito cantor de um sucesso só? Danzig escreveu algumas das maiores canções de todos os tempos, mas outras pessoas parecem ter mais crédito quando as tocam. Então, ele finalmente vê neste "blues obra-prima do metal" seu mérito próprio, apenas para tocá-lo continuamente.

04. ALICE COOPER - "School's Out" ("School's Out", 1972)
Sim, foi divertido quando estávamos relacionados com esta canção, mas depois de tantos anos e ouvindo-a todos estes anos - incluindo as releituras de bandas que querem capitalizar um pouco o sucesso, acabou para nós.

05. METALLICA - "Enter Sandman" ("Metallica", 1991)
Certo. Aqui está uma exceção à regra. Essa música só é chata. Tem um riff impressionante, que institui a intro, mas no entanto, ouvindo o Metallica usar as palavras "emocionante" e "travesseiro" parece soar errado. Além disto, quantos milhões de, hum, "fãs" tocaram esta canção no decorrer de todos estes anos?

06. BLACK SABBATH - "Iron Man" ("Paranoid", 1980)
Facilmente uma das músicas mais elegantes, com um dos riffs mais bárbaros. No entanto, ouvir tantas pessoas executando-a - seja em lojas de guitarra ao redor do mundo, ou em um videogame - fez com que ela ficasse arruinada. E o fato de ter sido usada na refilmagem de "Homem de Ferro" fez com que muitas pessoas - inclusive suas mães - passassem a pensar que são fãs do Sabbath.

07. JUDAS PRIEST - "Living After Midnight" ("British Steel", 1980)
Na mesma linha do Thin Lizzy, isto é, considerada como uma das baladas menos favoritas de qualquer fã do Priest. E, claro, é um hino para todas as festas de fim de noite se você deseja dar um soco em alguém.

08. IRON MAIDEN - "Run to the Hills" / "The Number Of The Beast" ("The Number Of The Beast", 1982)
Quando o vocalista Bruce Dickinson atinge as notas altas, soa como gotas de ambrosia doce acariciando seu ouvido. A mesma coisa acontece na "meu-Deus-como-é-longo-isso" introdução de "The Number Of The Beast". Mas daí a ouvir qualquer outra pessoa no mundo pensando que é o Bruce? Nem pensar.

09. MOTÖRHEAD - "Ace of Spades" ("Ace of Spades", 1980)
Há 35 anos que o Motörhead vêm lançando excelentes álbuns. E até mesmo Lemmy admite que não consegue mais tocar "Ace of Spades" sem se sentir enfastiado. Perceber que isto é a primeira coisa no qual as pessoas pensam quando ouvem o nome Motörhead, ao mesmo tempo que elas sentem necessidade de gritar até avariar a parte superior de seus pulmões é muito chato.

10. BLACK SABBATH - "Paranoid" ("Paranoid", 1970)
Vamos lá. Você sabe que ama isto... até ouvir cada porcaria de banda de garagem das últimas quatro décadas tocar essa música, porque parece muito fácil. No entanto, quase ninguém acerta. Até mesmo o Ozzy! Sim, nós vimos ele massivamente errando "Paranoid" ao vivo.

HOMENAGEM À RICK ALLEN

Ontem foi um dia especial para Rick Allen (foto), baterista do Def Leppard. Não só pela chegada de mais um ano, mas também porque ele comemorou a vida que quase perdeu há 25 anos atrás. Em um acidente automobilístico, o músico perdeu seu braço esquerdo e, por pouco, não perdeu a vida. A perda de um dos braços para um baterista significa o fim da carreira...ou quase! Infelizmente, o acidente impossibilitou os ingleses de comparecerem ao Rock In Rio em 1985, quando os organizadores chamaram - em cima da hora - o Whitesnake para substituí-los.E convenhamos, a perda de um dos braços para um baterista significa o fim da carreira...ou quase!

Ao que sei, Rick Allen é o único baterista em atividade com apenas um braço, e olha que o cara manda muito melhor do que muita gente que faz pose atrás do kit. É claro que a nova situação fez com que o baterista mudasse radicalmente sua maneira de tocar, usando seqüências mais marcadas e precisas, mas não menos sofisticadas. Como o Def Leppard se recusou a trocar de baterista, um novo kit foi desenvolvido para atender a sua nova condição, e as sessões de fisioterapia eram bastante sofridas. Além disso, foi esse acidente que fez com que Robert John "Mutt" Lange se envolvesse na produção de "Hysteria" (o produtor já havia dito que não faria a produção do álbum por ter outros compromissos, mas o atraso em decorrência do acidente fez com a agenda do produtor encaixasse os ingleses), álbum que se tornaria o mais vendido em toda a carreira da banda.

A volta de Allen à banda foi lenta e o baterista Jeff Rich tocava boa parte dos sets, enquanto Allen se encarregava de algumas canções. Até que no Donington Monsters Of Rock Festival, em 1986, Rick Allen retornou definitivamente como baterista do Def Leppard. Quando o vocalista Joe Elliott anunciou que Allen estava de volta à banda, o público o aplaudiu por cerca de dez minutos.

Com quatro anos de atraso, a banda lançou "Hysteria" em 03 de Agosto de 1987, e a partir daí a banda gravou excelentes álbuns e outros nem tanto. Seja como for, Rick Allen continua sendo um dos bateristas que mais admiro, e não só pela sua condição, mas também pela lição de perseverança, dedicação à música e, acima de tudo, por manter a alta qualidade de seus trabalhos e performances apesar do acidente que teria feito outros músicos abandonarem suas carreiras.

Clicando aqui você pode acessar uma série de vídeos sobre o baterista, inclusive trechos de apresentações do Def Leppard, programas de televisão e entrevistas com o baterista. Vale a pena...

RECOMENDAÇÃO DA SEMANA

Quando você menciona o nome do canadense Bryan Adams e as pessoas torcem o nariz dizendo que ele só faz baladas você descobre, naquele momento, que esse povo não conhece absolutamente picas do trabalho dele. Com cinco álbuns de AC Rock bem sucedidos em seu currículo, Mr. Adams deu uma guinada na sonoridade de seus trabalhos e em 1991 lançou o destruidor “Waking Up The Neighbours”, o primeiro álbum que não trazia o companheiro de longa data Jim Vallance na produção (se bem que quatro canções trazem sua assinatura em parceria com Adams). Tal fato quando anunciado deixou os fãs numa expectativa tremenda até que soubemos que o canadense seria acompanhado apenas pelo legendário Robert John “Mutt” Lange. Nesse momento eu soube que a qualidade do álbum seria incomparável e hoje, 18 anos depois de seu lançamento, ainda mantenho essa opinião.

A bateria pesada acompanhada da guitarra em ”Is Your Mama Gonna Miss Ya?” já mostra que esse álbum não é igual a nenhum outro que Adams tinha lançado até então. Um rocker até simples, mas que com a produção prá lá de perfeita de “Mutt Lange” foi elevado a outro patamar – feito que se repete ao longo do álbum com absolutamente todas as canções. Belíssima canção que é seguida de perto por “Hey Honey - I'm Packin' You In”, outro rocker que arrepia desde a introdução que, assim como a faixa anterior, não é nenhuma obra de engenharia, mas é certeira em sua melodia e andamento. Quando você começa a achar que depois de duas grandes canções a terceira só pode ser mais fraca, percebe seu erro logo na introdução da contagiante “Can't Stop This Thing We Started”, o segundo single a ser lançado e que atingiu #2 no Billboard Hot 100 com facilidade. Gosto muito do baixo pulsante de Dave Taylor e da bateria extremamente bem marcada de Mickey Curry, isso sem contar a guitarra voadora de Keith Scott e o Hammond Organ discretíssimo de Tommy Mandel. Junte isso tudo com “aquela” produção e backing vocals tão tradicionais nos álbuns em que “Mutt Lange” mete a mão e você tem, certamente, um tremendo hit.

Mas o ritmo tinha que desacelerar e o maravilhoso mid-pacer “Thought I'd Died And Gone To Heaven” (o quarto single do álbum, atingindo #13 na Billboard Hot 100 e #14 no Mainstream Rock Tracks) se encarregou da tarefa. Com uma envolvente melodia toda construída na dupla baixo/bateria, essa canção ainda traz um pouco mais de teclados – tudo muito discreto – e inserções de guitarra (que passam a acompanhar a melodia do primeiro refrão em diante) bastante precisas, assim como os backing vocals. Essa é uma das canções que eu mais curto nesse álbum e que arrepiavam nos shows da Waking Up The World Tour. Mas os rockers retornam com força na excelente “Not Guilty” que mostra logo de cara as guitarras que moldam a melodia que logo é encorpada pelo baixo e bateria. Outra cacetada que merece ser ouvida sem a menor moderação. Outro mid-pacer (igualmente maravilhoso) surge com “Vanishing” e sua melodia toda amarrada pelo baixo em primeiro plano que tem sua cadência cortada pelas guitarras. Outro destaque nos shows, essa canção merecia muito mais destaque – em minha opinião – já que mostra a perfeita transição entre o som que Bryan Adams fazia até então e a nova sonoridade que “Mutt" Lange incorporou (e que seria mantida ainda cinco anos depois).

“House Arrest” é outro rocker que segue a receita dos anteriores: melodia simples e calcada em guitarras, arranjo despojado e interpretação absolutamente precisa. A qualidade da canção é óbvia, trazendo as assinaturas de Adams/Vallance/Lange que servem de certificado de qualidade. E os três ainda assinam a poderosa balada “Do I Have To Say The Words?” (o sexto single do álbum, chegando a #3 no U.S. Billboard Rock Tracks e #5 no U.S. Billboard Adult Contemporary Chart), uma das mais lindas canções no catálogo de Adams e que também emocionava nos shows. Gosto muito do andamento da melodia e do refrão, onde as guitarras tomam conta do espaço antes ocupado pelo baixo. A tríade ainda é autora de “There Will Never Be Another Tonight” (o terceiro single lançado), um rocker avassalador e que, na verdade, havia sido escrita entre ’88-’89 com o nome de “Buddy Holly Idea”. Com algumas poucas mudanças a canção foi convertida em um dos grandes destaques desse álbum, e outra canção que não poderia faltar durante a tour. Um torpedo certeiro...

Um mid-pacer mais agressivo é “All I Want Is You” (o quinto single), que apresenta andamento levemente mais rápido que o comum para esse tipo de canção e guitarras mais pesadas, quase que no mesmo compasso do baixo. Mas é uma excelente canção, que incorpora todos os elementos mais tradicionais do estilo, elementos esses que podem ser conferidos em “Depend On Me”, um mid-pacer clássico com belíssimo trabalho das guitarras – acústica e elétrica – e bateria marcada ao extremo. Além disso, o refrão é contagiante e, até certo ponto, discreto em relação a outras canções que seguem a mesma linha. E então temos “(Everything I Do) I Do It For You”, canção que dispensa comentários. A idéia para a canção surgiu do falecido Michael Kamen, que ofereceu a oportunidade à Kate Bush, Lisa Stansfield e Annie Lennox, mas todas recusaram. Quando David Kershenbaum – da Morgan Creek Records – soube, convidou Bryan Adams para escrever apenas a letra, e ele aceitou na hora. Ao final, o resultado não agradou aos executivos que tentaram a todo custo fazer com que o canadense re-escrevesse o material, coisa que ele veementemente recusou-se a fazer. Até que ele gravou a canção por conta e mostrou aos pessoal do estúdio, que acabou cedendo, mas ainda não queria que a canção aparecesse na trilha sonora do filme Robin Hood: Prince Of Thieves!!! Milhões de dólares depois – e a inserção no Guinness Book Of Records como o single mais vendido da história (até 1997, quando Sir Elton John suplantou essa marca com a regravação de “Candle In The Wind”) tenho certeza de que ninguém se arrepende de coisa alguma. Talvez Bryan Adams, que disse em sua biografia que odiou o vídeo que, realmente, é ridículo.

O clima de romance acaba ali, já que seguem três rockers de respeito: a bacana “If You Wanna Leave Me (Can I Come Too?)” tem o baixo carregando a melodia entrecortada por guitarras e backing vocals fantásticos, como de costume. Mas o melhor ainda viria com “Touch The Hand” (o sétimo e último single) e suas guitarras ácidas acompanhadas da bateria bate-estaca de Mickey Curry. Uma paulada na sua cabeça e um dos rockers mais bacanas da carreira de Adams, e uma canção de incendiava os shows, pode ter certeza. O álbum fecha com “Don't Drop That Bomb On Me” que tem melodia até bacana, mas foca muito em questões ambientais – causa que o canadense defende há mais de 20 anos - o que acaba por deixar a canção cansativa.

Seja como for, esse permanece o melhor álbum da segunda fase da carreira de Bryan Adams e, certamente, um dos melhores de todo o catálogo do canadense. Não vou perder tempo falando da idiota controvéria da CRTC (Canadian Radio-television And Telecommunications Commission) que dizia que o álbum não era considerado canadense por ter a participação de um inglês (o produtor “Mutt” Lange). Prefiro dar ênfase às mais de 15 milhões de cópias vendidas até hoje – e continuam aumentando – e à exímia produção de Robert John “Mutt Lange”, o responsável por elevar o nível do trabalho de Bryan Adams à um patamar que muitos consideravam impossível de ser alcançado. Ainda, “Waking Up The Neighbours” é apontado como um dos melhores álbuns da década de 90, o que se verifica facilmente antes da metade do trabalho. Se você é uma dessas pessoas que acha que Bryan Adams só grava baladas, procure sua cópia desse álbum aqui e prepare-se para uma excelente surpresa.

Bryan Adams – Waking Up The Neighbours
Released on Sep. 24th on A&M Records
Cat. #397 164-2

Tracklist

01. Is Your Mama Gonna Miss Ya?
02. Hey Honey - I'm Packin' You In
03. Can't Stop This Thing We Started
04. Thought I'd Died And Gone To Heaven
05. Not Guilty
06. Vanishing
07. House Arrest
08. Do I HaveTo Say The Words?
09. There Will Never Be Another Tonight
10. All I Want Is You
11. Depend On Me
12. (Everything I Do) I Do It For You
13. If You Wanna Leave Me (Can I Come Too?)
14. Touch The Hand
15. Don't Drop That Bomb On Me

Musicians
Bryan Adams – vocals, rhythm guitars
Keith Scott - lead guitars
Tommy Mandel - Hammond organ
Dave Taylor - bass
Mickey Curry - drums

Guest Musicians
Phil Nicholas - keyboards and programming
Robbie King - Hammond organ
Bill Payne - piano and Hammond organ
Larry Klein - bass
Ed Shearmur - keyboards
The Tuck Back Twins - background vocals

AVISO

Devido as chuvas aqui o sul da Terra Brazilis , não teremos a Recomendação Da Semana hoje. Retornaremos em breve...