sexta-feira, 2 de abril de 2010

EXCLUSIVO: ENTREVISTA COM LEIGH MATTY

A Romeo's Daughter é uma das bandas mais emblemáticas do tradicional U.K. AOR. . Formada pela vocalista Leigh Matty, o guitarrista Craig Joiner, o tecladista Tony Mittman, o baixista Ed Poole e o baterista Andy Wells, logo em seu primeiro - e obrigatório - álbum a banda trabalhou com Robert John "Mutt" Lange e John Parr, e emplacou três singles nas paradas. Seguiu-se um segundo álbum e a banda desapareceu. No final de 2009 a Romeo's Daughter anunciou oficialmente seu retorno após apresentar-se no FireFest Festival e para nos contar a história dessa legendária banda trago à vocês, na íntegra, minha conversa com a grande Leigh Matty

01. A primeira pergunta pode soar redundante para você, mas muitas pessoas não sabem: como a banda foi formada?

Leigh Matty: Eu entrei na Romeo’s Daughter depois de ler um anúncio em um renomado jornal especializado em música, e fui fazer a audição com outras 75 mulheres! O empresário da banda tinha visto Craig e Tony tocar em um bar numa banda e gostou das canções deles, mas achou que precisavam de vocal feminino para complementar o som, e foi aí que eu entrei em cena. Nós não tínhamos um nome propriamente dito até o primeiro álbum estar gravado e nós decidimos rapidamente que deveríamos usar Romeo’s Daughter, porque é parte da letra de “I Cry Myself To Sleep At Night” e achamos que era bastante incomum.

02. O primeiro álbum da Romeo’s Daughter é apontado como um clássico indiscutível do AOR. Não só as canções são maravilhosas, mas você ainda tiveram a chance de ter Robert John “Mutt” Lange e John Parr produzindo o álbum e colaborando nas composições. Todos sabemos como Mutt Lange se envolveu no projeto, mas e John Parr ?

Leigh Matty: John Parr conheceu nosso empresário em um evento social e começaram a falar sobre nós. John era um grande fã do trabalho de Mutt Lange e acredito que ele achou que aquela seria uma ótima oportunidade de conhecê-lo e talvez atrabalhar com ele – acho que isso nunc aconteceu mas foi muito prazeroso trabalhar com ele! Ele foi ao nosso show no FireFest e foi ótimo revê-lo depois de tanto tempo.

03. Quase metade das canções do álbum foram gravadas por outros artistas: Eddie Money regravou “Heaven In The Backseat”, Bonnie Tyler e Chrissy Steele fizeram versões para “I Cry Myself To Sleep At Night”, Heart regravou “Wild Child” e Steps regravou “Stay With Me Tonight”. Essa coisa de regravar suas canções é sempre visto com bons olhos ou ou há versões que vocês simplesmente não gostam?

Leigh Matty: É sempre um grande elogio ter uma canção regravada por outro artista e ficamos espantados com a quantidade de covers do material do nosso primeiro álbum. E posso dizer que, honestamente, a versão que mais gostamos é a que o Heart fez para “Wild Child”.

04. Mesmo com grandes canções – e mesmo fazendo parte da trilha sonora do filme “Nightmare On Elm Street V” - a Romeo’s Daughter nunca emplacou no mercado norte-americano, mas suas canções sim. Como isso foi possível?

Leigh Matty: Nós cometemos alguns erros com nossa empresária na época! Nós deveríamos ter buscado um empresário norte-americano para cuidar da nossa carreira por lá, mas nossa empresária inglesa não era favorável que fizéssemos isso, e levamos sua opinião em conta. Em resumo, foi uma má decisão já que o álbum foi tão bem recebido nos U.S.A. e ainda tínhamos boa exibição de vídeos na MTV. Nós poderíamos ter feito muito mais por lá, incluindo uma tour, mas isso nunca aconteceu!

05. A banda levou cinco longos anos para gravar o segundo álbum. Mesmo tendo um approach melódico um pouco diferente, “Delectable” é um grande álbum. Em 1993 o movimento grunge estava forte e dominava a TV e rádios. Por que a banda levou tanto tempo para lançar o segundo trabalho?

Leigh Matty: Nos foi dito que Mutt Lange produziria nosso segundo álbum e que deveríamos esperar por ele, poi ele estava comprometido com outros projetos. Infelizmente, depois de cerca de quatro anos ele decidiu que não poderia se comprometer conosco pois estava envolvido em outros projetos e isso foi um duro golpe para nós. Na época, o tipo de música que fazíamos não era mais tocada em rádios no país e nos perdemos completamente o momento. Também deixamos nossa gravadora e demitimos nossa empresária, então foi um período bastante conturbado para nós.

06. Logo depois do segundo álbum a banda desapareceu. Essa decisão foi comum ou houve algum problema entre vocês?

Leigh Matty: De maneira alguma, aquele foi o momento certo para desfazermos a banda. Tínhamos investido muito tempo e amor nos dez anos em que estivemos juntos e éramos grandes amigos. Foi o momento certo para seguirmos em frente.

07. Você, Craig e Tony mantiveram contato ao longo dos anos?

Leigh Matty:
Craig e eu mantivemos mais contato já que Tony se mudou para o interior do país e sua esposa teve dois filhos, então raramente nos víamos. Por isso foi tão agradável rever meus amigos novamente! E tem sido fantástico tocar com Ed Poole e Andy Wells, já que ambos são do lineup original.

08. É sabido que você deveria gravar um álbum solo. Algumas pessoas dizem até que o álbum foi gravado, mas permanece inédito. O que há de verdade nessa história?

Leigh Matty:
Infelizmente eu nunca gravei um álbum solo, mas foi por pouco. Cheguei perto disso mas devido a problemas de saúde o projeto nunca se concretizou.

09. No ano passado, depois de um hiato de dezesseis anos, a Romeo’s Daughter voltou. O show no FireFest foi apontado como um dos melhores. Vocês devem ter tido convites antes do FireFest para se apresentar, creio eu. Não estou fazendo uma reclamação aqui mas, porque só agora?

Leigh Matty:
Nós tivemos convites para nos reunirmos antes mas nunca estávamos todos em posição de aceitar e, para ser honesta, não tínhamos certeza de que alguém queria nos ver e nos ouvir depois de tanto tempo! O pessoal do FireFest não aceitaria um ‘não’ como resposta e levamos nove meses para nos prepararmos e decidirmos pela reunião. Estamos muito felizes em termos aceitado o convite porquie estamos nos divertindo muito.

10. Quem reuniu a banda? À quem devemos agradecer?

Leigh Matty: Hahaha…eu acho que Kieran Dargan, organizador do Firefest, pode requerer essa honra. E eu também por ter ligado para todos e convencê-los.

11. Foi fácil?

Leigh Matty: Quero dizer, se reunir depois de todo esse tempo…tem sido incrívelmente fácil e divertido até agora – não há razão em fazer isso se não for dessa maneira.

12. A banda já estava gravando novas canções no final de 2009. Essas canções serão lançadas em um E.P. – como o FM fez – ou serão parte do novo álbum?

Leigh Matty:
Vamos passar a idéia de um E.P. e gravarmos um álbum completo.

13. Ainda sobre essas canções, você disse que elas foram escritas por você e Craig Joiner quinze anos atrás e que elas ainda soam melhor que o material no álbum “Delectable”. Quais são as maiores diferenças que você percebe entre elas?

Leigh Matty:
Eu acho que algumas das canções em “Delectable” eram fantásticas mas infelizmente a produção do álbum era pobre – subsequentemente, as canções não soavam exatamente como esperávamos. O material que escrevemos quinze anos atrás era mais sofisticado porque, logicamente, estávamos mais velhos e mais espertos naquela época, mas a sonoridade é tipicamente Romeo’s Daughter.

14. E o que podemos esperar do novo álbum?

Leigh Matty: Uma mistura entre o material antigo e o novo, e que esperamos não desaponte nossos fãs. Ainda estamos na fase de demos e é bastante difícil dizer como as canções soarão (mas lhe informarei assim que começarem a tomar forma!)

15. A Romeo’s Daughter vai tocar no Winstanley College no dia 08 de Julho e o show será gravado e filmado. Vocês apresentarão algumas das novas canções nesse show e quando podemos esperar pelo DVD?

Leigh Matty:
Hehehe… O DVD trará principalmente canções dos dois primeiros álbuns, mas poderemos incluir uma ou duas canções novas. Ainda não decidimos isso. Se tudo correr bem e a gravação for boa imagino que o material esteja pronto para lançamento no final do ano. Também esperamos lançar um álbum ao vivo desse show e estamos muito animados porque nunca fizemos nada assim antes!

16. Juntamente com vocês, grandes nomes do AOR/Melodic Rock como FM, Drive She Said, Danger Danger, Mitch Malloy, Treat, Giant, etc… retornaram ao cenário. Esse é o começo de uma nova era para o AOR/Melodic Rock?

Leigh Matty:
Definitivamente parece ser o retorno do bom e velho AOR music. Acho que o público está cansado de bandas super produzidas e que não conseguem repetir a performance no palco. Por alguma razão as bandas da nossa época que faziam parte da indústria tinham que aprender a tocar muito bem seus instrumentos e também a tocar ao vivo, já que as tours faziam parte da coisa toda.

16. O Reino Unido tem uma longa tradição em produzir grandes artistas/bandas de AOR/Melodic Rock, Newman, Magnum, Strangeways, FM, Thunder, Dare, etc.., e a Romeo’s Daughter é parte dessa tradição. O mercado mudou drasticamente ao longo dos anos em que a banda esteve sumida e levando isso em consideração, é de alguma maneira assustador encarar os novos fãs? Quer dizer, tenho certeza que o re-lançamento do nosso primeiro álbum em 2008 deve ter nos rendido alguns novos fãs...

Leigh Matty: Estamos surpresos de que conseguimos novos fãs, especialmente depois do Firefest. E recebemos correspondência de fãs que hoje tem a idade que seus pais tinham quando nos descobriram, e isso foi uma revelação e tanto para nós! Acredito que nossa música não envelheceu tanto quanto pensávamos e ainda tem relevância hoje em dia, então esperamos conseguir muito mais fãs!

17. A banda tem um nome a zelar e os fãs tem esperado por seu retorno há anos e, naturalmente, as expectativas acerca do novo material são muito altas…

Leigh Matty: Eu sei, e é por isso que não queremos lançar nada que não esteja no mesmo nível da sonoridade do primeiro álbum, mas é natural que haja mudanças no conteúdo das letras porque estamos mais velhos e espertos agora! Nós definitivamente não lançaremos um álbum até estarmos absolutamente felizes com ele e que saibamos que irá satisfazer as expectativas.

19. Esse retorno é prá valer? Quero dizer, a banda planeja lançar álbuns regularmente outra vez ou a volta é coisa prá um álbum só?

Leigh Matty:
Faremos alguns hows nesse ano e esperamos lançar o álbum quando estivermos satisfeitos com ele, então estamos dando passos pequenos agora – nesse momento estamos desfrutando o fato de estarmos juntos novamente e esperamos ansiosamente os shows. Se ainda há mercado para nós – mesmo que pequeno – e pessoas interessadas em nos seguir então pensaremos em projetos para o futuro.

20. Há muitos artistas/bandas novas com belos álbuns no momento. O que você tem ouvido ultimamente??

Leigh Matty: Kings Of Leon e Muse são minhas bandas favoritas atualmente. Eu não sei ao certo o que os rapazes tem ouvido porque quando nos reunimos só falamos em Romeo’s Daughter. Ah, o novo álbum do FM é fantástico.

Uma vez mais Leigh, eu lhe agradeço muito pela oportunidade em entrevistar você. Eu considero um privilégio poder falar com você sobre uma das minhas bandas preferidas no cenário AOR. Desejo à todos vocês da Romeo’s Daughter o melhor e mal posso epserar pelo novo álbum. Muito obrigado e fiquem com Deus…

Leigh Matty: Muito obrigada por suas palavras gentis e interesse em nós.! Leigh xx

FELIZ PÁSCOA, NIBELUNGAS E NIBELUNGOS

A AORWatchTower deseja à todos os amigos, antecipadamente, uma feliz Páscoa e bons sons sempre.

Rock on!!!

JOHN NORUM GOT THE BLUES

O guitarrista John Norum lança, no próximo dia 17 de Maio, o álbum "Play Yard Blues" (foto), pela Mascot Records e, como sempre, a edição japonesa incluirá uma bonus track - ainda não anunciada.

Acompanham Mr. Norum o baixista Tomas Torberg, o baterista Thomas Broman e o percussionista Peer Stappe, além do vocalista Leif Sundin (que solta a voz em "Born Again" e "Got My Eyes On You") e do tecladista Mic Michaeli. O tracklist do álbum é o seguinte:

Let It Shine
Red Light Green High
It's Only Money
Got My Eyes On You
When Darkness Falls
Over And Done
Ditch Queen
Travel In The Dark
Born Again
Play Yard Blues

Material de alta qualidade. Fique de olho...

RECOMENDAÇÃO DA SEMANA

Se eu anunciasse que recomendaria um álbum do The Storm, certamente a maioria de vocês esperaria o primeiro álbum. Mas confesso que curto um pouco mais esse segundo trabalho. Talvez porque “Eye Of The Storm” (que apresentava duas versões da capa, uma nos U.S.A. e outra na Europa e Japão) mantenha uma linha mais uniforme, mesmo correndo o risco de soar repetitivo, e essa impressão pode surgir em alguns momentos. Contando com a presença de Ron Wikso na bateria – no lugar do insubstituível Steve Smith – e dos veteranos Nigel Green e Bob Marlette na produção, a banda manteve seu AOR de altíssima qualidade ao longo das doze canções que compõe esse álbum. Se você ainda não conhece esse material, prepare-se para uma bela surpresa...

O álbum abre com “Don’t Give Up”, um AOR daqueles que impõe respeito desde a introdução onde guitarras e teclados surgem lado a lado. A melodia é absurdamente contagiante e o andamento da canção favorece – e muito – o monstruoso vocal de Kevin Chalfant, que é acompanhado por backing vocals excelentes. Em seguida surge “Waiting For The World To Change”, uma baladaça que, se não traz nada de novo, segue a cartilha que dita todos os elementos que esse tipo de canção precisa: a alternância de métrica entre versos e refrão e melodia eficiente. Tudo isso está incluso nessa bela canção que privilegia as guitarras, mas que não se esquece dos teclados. Já “I Want To Be The One” é daqueles radio-friendly AOR que só se ouvia na década de 90 mesmo. O baixo de Ross Valory dita o compasso que é acompanhado de perto pelos teclados de Greg Rolie, o que confere um brilho á melodia que já era excelente por si só. Grande momento do álbum...

A bacana “To Have And To Hold” é outra balada bem tradicional – até mais que a anterior – e que cumpre seu papel, mas não é nada inovadora. Já em “Livin’ It Up” a banda retorna ao caminho mais rocker, mas o resultado não é tão bom quanto em momentos anteriores. Cabe destacar, entretanto, a alternância dos vocais de Kevin Chalfant e Greg Rolie, o ponto mais forte da canção. Com mais brilho e sonoridade mais familiar, a ótima “Love Isn’t Easy” chega prá resgatar sua fé no álbum e consegue isso sem muito esforço. A melodia desse mid-pacer é muito bacana, as guitarras e teclados muito bem colocados e Chalfant e Rolie, novamente, intercalam os lead vocals dessa bela canção que vale a pena ser ouvida no volume máximo.

A guitarra de “Fight For Your Right” já indica: essa canção será uma das melhores desse álbum. E não é que é mesmo?!?!? Um exemplar do mais tradicional AOR, repleto de guitarras e teclados, tudo isso amarrado pela melodia mais que contagiante e por vocais – e backing vocals – simplesmente perfeitos. Ouça essa canção no volume máximo; seus vizinhos lhe agradecerão depois...hahaha. Outro mid-pacer bem bacana é “Give Me Tonight”, cuja melodia não é tão óbvia quanto a de outras canções, e o arranjo é muito bem construído, e o mesmo ocorre em “Soul Of A Man”, mas nessa última canção talvez um approach um pouco mais hard surtisse efeito mais satisfatório. Enfim, opinião pessoal apenas...

Na reta final, “What Ya Doin’ Tonight?” desponta como a balada mais bacana, e a melodia é a grande responsável por esse destaque. A métrica é perfeita, andamento e compasso certeiros e a interpretação dos vocalistas somam-se naturalmente, e é essa soma que resulta nesse bela canção. Outro radio friendly AOR surge em “Come In Out Of The Rain” e, mais uma vez, o resultado é muito positivo, especialmente no que tange a melodia (mais uma vez!) e as guitarras e teclados, sempre muito bem postados ao longo do álbum. Essa é outra faixa a ser ouvida no volume máximo, e da mesma maneira, recomendo a excelente “Long Time Coming” que fecha o álbum. Um mid-pacer de muito bom gosto, com a guitarra fazendo a base em conjunto com os teclados e onde a bateria e baixo ocasionalmente surgem, até que todos se juntam e produzem um refrão explosivo, mas com backing vocals mais suaves. Uma mistura que deu muito certo e que, certamente, vai te agradar também.

Em resumo: esse álbum segue uma linha muito semelhante à do primeiro álbum do The Storm, mas dessa vez a banda não inventou nada e nem se arriscou por territórios diversos daquele ao que o álbum se propôs. A produção é excelente – e não podera ser diferente – e o conjunto de canções é bastante coeso, mesmo que alguns prefiram chamá-lo de redundante. Um belíssimo álbum que merece estar na coleção de qualquer amante dos bons sons. Altamente recomendado...

THE STORM – Eye Of The Storm
Released in 1995 through Miramar Recordings (U.S. Edition)
Cat. #09006 23102-2

Tracklist
01. Don't Give Up
02. Waiting For TThe World To Change
03. I Want To Be The One
04. To Have And To Hold
05. Livin' It Up
06. Love Isn't Easy
07. Fight For The Right
08. Give Me Tonight
09. Soul Of A Man
10. What Ya Doing Tonight?
11. Come in Out Of The Rain
12. Long Time Coming


Lineup
Kevin Chalfant – vocals
Greg Rolie – vocals, keyboards
Josh Ramos – guitars
Ross Valory – bass
Ron Wikso – drums

AVISO

Devido as chuvas aqui o sul da Terra Brazilis , não teremos a Recomendação Da Semana hoje. Retornaremos em breve...