sexta-feira, 1 de abril de 2011

ENTREVISTA COM FIONA FLANAGAN

Em meados da década de 80, Fiona Flanagan (foto) surgiu no cenário AOR em meio a tantos outros artistas e bandas que floresciam na época. Entretanto, ela conseguiu se manter em atividade até o início da década seguinte, coisa que grande número de artistas que surgiu com ela não conseguiu. Fora do universo dos bons sons há quase vinte anos, a simpática Fiona concordou em conceder uma entrevista exclusiva para a AORWatchTower, em meio as gravações de seu primeiro trabalho desde 1992, que conta com a produção de ninguém menos que James Christian e Tommy Denander, e sob o olhar criterioso de sua manager Robin Beck.

01. Como tudo começou para você, sua entrada no music business? E como você foi contratada pela Atlantic?

Fiona: Eu morava em NYC e trabalhava com muitas pessoas gravando demos. Como diria Tom Petty, eu tive sorte.

02. Em 1985 seu primeiro álbum foi lançado, incluindo uma série de convidados como Bobby Messano, Schuyler Deale e Louie Merlino. Quais suas memórias da gravação daquele álbum?

Fiona: Bobby era muito divertido, um grande músico e estava deixando a banda de Steve Winwood. Ainda somos amigos. Louie era o melhor vocalist que eu havia ouvido até então. Assim como Lou Gramm, ele fazia uma ótima imitação de Frank Sinatra. Eu amo Louie. Schuyler acabou tocando com Billy Joel, creio eu. Ele era amigo de Peppi Marchello. Ele é um grande cara e grande músico.

03. Um ano depois "Beyond The Pale" foi lançado. Naquele trabalho, os convidados foram Mike Slamer, Kip Winger, Reb Beach, Nile Rodgers e, novamente, Bobby Messano e Louie Merlino. Isso sem contar a presença do veterano produtor Beau Hill. Com tantos nomes de peso em apenas dois álbuns, fica a impressão de que a gravadora estava apostando alto em você, não?

Fiona: Me parece que sim.

04. Em 1987 você fez sua estréia no cinema com "Hearts Of Fire", filme que incluía Bob Dylan no elenco! Como você se envolveu no projeto?

Fiona: Eu era artista contratada da TRIAD e eles tinham um departamento de interpretação, e comecei a frequentar as aulas depois que sugeriram minha participação no filme.

05. O filme não foi exatamente um sucesso, mas as canções que você gravou para a trilha Sonora são excelentes. O contrato previa que você teria que graver material para a trilha Sonora?

Fiona: Eu sabia que teria que cantar, mas escolhemos as canções a ser gravadas mais tarde.

06. Falando em trilhas sonoras, você contribuiu com belas canções em vários filmes na década de 80. Você podia escolher com quais filmes gostaria de colaborar ou a gravadora se encarregava disso?

Fiona: Era tudo responsabilidade da gravadora. Eles me colocavam em um avião e me mandavam para Los Angeles para conhecer o produtor e graver as canções imediatamente. Em alguns casos eu era convidada pelos compositores para cantar algumas canções e elas acabavam incluídas nos filmes.

07. Você voltou ao cenário em 1989 com o excelente "Heart Like A Gun", um álbum que é apontado por seus fãs como seu melhor trabalho até hoje. Foi um desafio gravar aquele trabalho, depois de dois álbuns bem sucedidos?

Fiona: Foi mesmo. Mas não pelas razões que muitos pensam. Não eram reazões relacionadas à música. Eu morava em Los Angeles mas não gostava do lugar. Nenhum preconceito em relação à cidade, mas nunca me vi morando lá. Fui para Los Angeles porque estava junto com Beau. Achei os primeiros anos lá muito confusos. Sentia falta de Manhattan e de meus amigos e de meus contatos na gravadora. Entretanto, eu gostei muito de trabalhar com Keith Olsen, que é um produtor fantástico, e foi muito legal ter trabalhado com Beau e Kip. No final das contas, Los Angeles foi muito boa para mim.

08. Parece que a coisa toda – tanto composições e performances – estava se des envolvendo rapidamente com o passer do tempo. Pessoalmente, percebo muitas diferenças entre seus três primeiros álbuns, em uma curva ascendente. Você tem essa impressão?

Fiona: Se você quis dizer que eu estava melhorando como artista com o passer do tempo, sinceramente, nunca havia pensado nisso. Eu estava mais preocupada com minha vida do que com a música em alguns momentos. Sou mulher! Não fiz tantos shows quanto gostaria mas minha qualidade vocal no estúdio estava melhorando porque me lembro de igualar facilmente certos vocais.

09. Mais uma vez, seu álbum tinha uma extensa lista de convidados. Gente de peso, como Tim Pierce, Mike Slamer, Brad Gillis, Kim Bullard, Claude Gaudette, Rod Morgenstein, Dweezil Zappa e Kip Winger, para citar alguns nomes. Você opinava a respeito dos convidados, sobre quem chamar, ou a gravadora fazia tudo da maneira que queria?

Fiona: Os produtores tomavam a maioria das decisões relacionadas com os convidados, mas todos os convidados eram grandes caras e alguns deles são meus amigos até hoje.

10. Ainda, o álbum tinha canções assinadas por colaboradores como Mark Mangold, Martin Page, Tony Rey e Aldo Nova. Nada mal, hein?

Fiona: Mark Mangold é um amigo próximo até hoje. Eu passei muito tempo em seu apartamento compondo canções. Ele era louco! O apartamento mal tinha mobília, só equipamento. Ele tinha uma filha chamada Mariel. Ele e Al Fritsch e eu estávamos sempre aprontando alguma coisa. E eu descobri que era alérgica a cachorros quando Mark começou a namorar uma mulher que tinha um (risos). Já Martin Page estava morando em Los Angeles e fui a sua casa. Eele era uma pessoa excelente e bebia muita água! Adoro a canção que escrevemos juntos. Aldo Nova era amigo de Mark. O que me fez rir foi você lembrar que eu cantei em "Rumours" e eu não (risos). Quer dizer, me lembro que gravei a canção mas não me record das partes. Aldo é uma pessoa muito divertida e trabalhamos muito juntos.

11. Todos os três álbuns tem uma aura hi-tech, por assim dizer. Teclados, sintetizadores, seqüenciadores, tudo o que era quente na década de 80. Você queria que os álbuns tivessem aquela sonoridade ou mudaria alguma coisa, se pudesse?

Fiona: Eu não sei. Eu teria que ouvir os três álbuns em sequencia para pensar melhor a respeito. Minha cabeça dói só de pensar nisso (risos). Talvez eu devesse ter mudado algumas coisas. Às vezes parece que estou tentando cantar do outro lado da rua.

12. Você mudou da Atlantic para a Geffen e em 1992 "Squeeze" foi lançado, e que album faboloso é aquele! Pessoalmente, o classifico como seu melhor trabalho e não poderia ser diferente, com uma banda que incluía Jimmy DeGrasso e Dave Marshall, além de Tommy Girvin e Kim Bullard como convidados, o resultado só poderia ser perfeito. Como a banda foi montada?

Fiona: Eu me apaixonei por Jimmy. Só me recordo disso. Assim a primeira vista. Fizemos muitas audições no Valley. Dave era ótimo e tinha ótimos cabelos também (risos). Laura já estava acertada, pois é uma de minhas melhores amigas desde a década de 80. Já Tommy Girvin estava trabalhando em um projeto próprio e ele é um grande amigo de Marc. E Kim é uma das melhores pessoas do mundo, então não foi nada difícil.

13. Mais uma vez você teve a colaboração de grandes nomes nas composições, como Marc Tanner, Jeff Neill, Rick Nielsen e Robin Zander. O album ainda traz canções assinadas por Jani Lane, Diane Warren, Curt Cuomo e Bob Mitchell. Entre todas as excelentes cações que integram o álbum, você tem alguma favorita?

Fiona: Jani é um grande amigo e escreveu "Life On The Moon" para sua namorada na época, Becca Bramlett. Acanção estava jogada em algum lugar e eu a adorei. Eu encontrei Diane algumas vezes e ela é uma pessoa muito gentil e trabalha muito. Me emocionei por ter a chance de trabalhar com ela e acho "Don’t Come Crying" maravilhosa! Se não me engano, Cher estava tentando ficar com aquela canção mas alguma coisa deu errado e eu já havia gravado os vocais para a faixa que foi produzida Richie Zito. E Marc já havia escrito "Mystery Of Love"com Jeff, Rick e Robin. Eu amo "Squeeze", é muito animado. Não tenho nenhuma favorite lá, todas as canções são ótimas de interpretar.

14. Aquele foi o seu ultimo álbum!!! Aonde você estava desde então??? O que tem feito???

Fiona: Bem, eu tive filhos, então acho que estive fazendo sexo. (Risos)

15. Durante todos esses anos, você nunca teve vontade de retomar sua carreira?

Fiona: Não, de maneira alguma.

16. No ano passado, a queridona Robin Beck me disse que produziria seu novo album com James Christian! Você não podera estar sob melhores cuidados (risos). Como vocês se encontraram?

Fiona: Robin me obrigou (risos). Ela insistiu na idéia e falou comigo a respeito até que disse 'sim'.

17. E quem foram os responsáveis por seu retorno aos palcos?

Fiona: Eu fui a um show do John Eddie há alguns anos com minha amiga Annmarie Collins. Ela nos apresentou e John me puxou para o palco para cantar. Bang! Adinhe quem estava tocando baixo? Kenny Aaronson. Annemarie é amiga de Glen Burtnik também e ele me convidou para um de seus shows de caridade no Natal para cantar com ele. E logo depois disso eu encontrei Bobby Messano. Nós tentamos fazer algumas coisas juntos e ele organizou um show da Starz para eu abrir e foi muito divertido.

18. E quem foi a responsável por seu retorno ao music business?

Fiona: (Risos) Muita gente, como Dann Stanton e Bobby Messano. Mas, na verdade, a maior responsável foi Robin Beck.

19. Sobre o novo álbum, James Christian será o produtor com Tommy Denander. É uma dupla de respeito e posso presumir que haverão grandes canções no tracklist. O que você pode me adiantar sobre o novo álbum?

Fiona: Nada. Tudo é mantido em segredo (risos). Brincadeira. O álbum é puro AOR/Melodic Rock do começo ao fim. A produção de James é brilhante. Ainda não terminamos mas vou lhe manter informado ao longo do processo. Tommy tem gravado bases de guitarra incríveis. Nós três temos nos divertido muito compondo via internet mas vou até a casa de James para gravar os vocais. E acredite, ainda não encontrei Tommy pessoalmente (Risos).

20. Curioso como sou, fico aqui pensando sobre as composições. Certamente haverão músicas assinadas pelo trio Beck/Christian/Denander. Você está compondo também? E haverão compositores convidados?

Fiona: (Risos) Sim, eu estou compondo com Tommy, James e Robin. Inclusive, ela tem gravado backing vocals burtais! Ela me mata assim (risos). E haverão muitos compositores convidados, você não perde por esperar!!!

21. Quando o novo album deverá ser lançado?

Fiona: O mais rápido possível, entre Maio e Junho, eu espero.

22. E haverá uma tour para divulgar o trabalho?

Fiona: Certamente essa é aminha intenção. A tour conjunta com a House Of Lords para o final de 2011 já parece certa.

Fiona, foi um grande prazer falar com você. Mal posso esperar pelo novo álbum, ainda mais sabendo que Robin Beck, James Christian e Tommy Denander estão envolvidos nesse projeto. Lhe desejo toda a sorte do mundo e mais do sucesso que você tanto merece. Tenha certeza que os entusiastas do AOR estão felizes com seu retorno! As portas da AORWatchTower estão sempre abertas à você.

Fiona: Agradeço muito Juliano e deixo um "Bom Dia" e "Caipurina!"para todos (risos). Mal posso esperar para voltar ao Brasil. A primeira ida foi incrível. Agradeço mais uma vez Com amor F.

RECOMENDAÇÃO DA SEMANA

Muitos projetos costumam morrer depois de apenas um álbum, outros seguem em frente. Esse é o caso da Hardline, que iniciou sua trajetória no universo dos bons sons em 1992 com o destruidor "Double Eclipse", álbum que contém uma série de canções absolutamente excelentes. Não bastasse isso, a banda contava com as ilustres presenças de Neal Schon - que seria apenas o produtor do álbum, mas curtiu tanto trabalhar com a banda que acabou assumindo as guitarras - e Deen Catronovo, além do ótimo vocalista Johnny Gioeli. Ainda, o álbum tem anções assinadas por Eddie Money, Mike Slamer, Mark Baker e Jonathan Cain, entre outros. Se é possível que você ainda não conheça a banda, se prepare: a pegada aqui é forte!

O álbum abre com "Life's A Bitch", rocker que arrebata sem cerimônia e já deixa claro do que a banda era capaz, com peso e melodia em harmonia total e com os vocais na medida certa. Se essa canção não te impressionar, prepare-se para "Dr. Love", outro rocker bem cadenciado e que chega de leve, mas a melodia crescente envolve e explode em um refrão empolgante e que merece ser ouvido no volume máximo. Seguimos com a poderosa "Love Leads The Way", um AOR totalmente radio friendly e que é uma das melhores canções do álbum, sem dúvida. Gosto muito do andamento e arranjo, apesar de achar que o refrão perde força em comparação com as bridges, mas ainda assim é uma paulada na moleira!

Com mais adrenalina, a excelente "Rhythm From A Red Car" acelera as coisas e incendeia o álbum, cortesia da guitarra sempre endiabrada de Neal Schon e da bateria descontrolada de Deen Castronovo. A melodia é excelente e o refrão, daqueles contagiantes, só corrobora a qualidade que ouvimos até aqui. E eis que chega "Change Of Heart", baladaça que figura entre as mais bacanas da década de 90, na minha opinião. Me agrada muito a linha de guitarra e o arranjo vocal, além do refrão - bastante previsível, é verdade - que é certeiro. Simples e altamente eficiente, como essas canções devem ser. Outro grande destaque do álbum é a infernal "Everything", outro radio friendly AOR de arrepiar os cabelos! Guitarras por todos os lados, teclados discretos, bateria massacrante e vocais arregaçantes garantem a alegria dos amantes dos bons sons. Ouça no volume máximo e deixe que os vizinho reclamem... se é que vão reclamar!

Com um riff memorável, a excelente "Takin' Me Down" mantém o alto nível do álbum. Gosto demais do arranjo dessa canção, em especial da linha da bateria e baixo, sempre pulsante. O refrão é explosivo e cumpre sua função de elevar os decibéis. E quando você acha que vai descansar, a poderosa "Hot Cherie" invade seus pavilhões auditivos e te leva em uma viagem sem freios pelos bons sons. Essa canção tem, na minha opinião, a melhor performance da Hardline como banda propriamente dita, e recomendo várias audições dessa canção, no máximo volume possível. Já "Bad Taste" é um rocker até bacana, mas não me empolga muito, apesar do baixo e bateria me agradarem. Gosto mais das partes do que do todo, se é que vocês me entendem.

Hora de outra balada e dessa vez quem faz as honras é "Can't Find My Way", belíssima canção onde Mr. Schon mostra um pouco daquilo que faz melhor. A melodia e arranjo são perfeitas e contam com a interpretação emotiva de Mr. Gioeli, além do refrão marcante que pontua a canção. Satisfação garantida aos mais exigentes, assim como acontece com "I'll Be There", mais um radio friendly AOR calcado na guitarra precisa de Neal Schon e que conta com melodia excelente. Gosto muito dos vocais - tanto lead quanto backing - e do arranjo e andamento. Uma cacetada sem dó, como todo bom AOR deve ser. Em seguida temos "31-91", um interlúdio acústico de pouco mais de um minuto onde Neal Schon mostra um pouco mais de seu talento e prepara o terreno para "In The Hands Of Time", ótima balada que fecha o álbum com muita qualidade, arranjo envolvente e melodia forte. Para ser ouvida sem moderação e, de preferência, acompanhado.

Em resumo, nibelungas e nibelungos, "Double Eclipse" é um álbum absolutamente imperdível. Afirmo sem medo que este é o melhor álbum da carreira da Hardline. Os motivos podem ser as presenças de Schon e Castronovo, mas não podemos esquecer os compositores que colaboraram e a química perfeita entre os integrantes da banda. A Hardline continua na ativa, mas sem o mesmo brilho capturado neste álbum. Absolutamente obrigatório.

HARDLINE - Double Eclipse

Released originally in 1992, via MCA Records

Reissued in 2010 via Universal Music Japan, as part of the SHM-CD Series

Cat. #UICY-94514

Tracklist

01. Life's A Bitch

02. Dr. Love

03. Love Leads The Way

04. Rhythm From A Red Car

05. Change Of Heart

06. Everything

07. Takin' Me Down

08. Hot Cherie

09. Bad Taste

10. Can't Find My Way

11. I'll Be There

12. 31-91

13. In The Hands Of Time

Lineup

Johnny Gioeli: Lead Vocals

Neal Schon: Lead Guitar

Joey Gioeli: Rhythm Guitar

Todd Jensen: Bass

Deen Castronovo: Drums

AVISO

Devido as chuvas aqui o sul da Terra Brazilis , não teremos a Recomendação Da Semana hoje. Retornaremos em breve...