segunda-feira, 3 de outubro de 2011

AXL ROSE NÃO MERECE OS FÃS QUE TEM

A matéria a seguir - incluindo a foto - foi originalmente publciada na Collector's Room e foi reproduzida aqui porque concordo absolutamente com o texto.

Em 1991, não havia nada maior que o Guns N' Roses em todo o planeta. A banda havia lançado um álbum megalomaníaco, porém muito bom – os dois volumes de "Use Your Illusion" -, lotava estádios nos quatro cantos do mundo e sua influência ia muito além da música, respingando na cultura, na moda e no comportamento de toda uma geração. Axl Rose, Slash e companhia estavam no ápice, colhendo os louros de uma trajetória que havia começado em meados dos anos oitenta nos clubes noturnos de Los Angeles.

Corta para 2011. Hoje, poucas coisas são mais constrangedoras do que assistir Axl Rose e a trupe que o acompanha ao vivo. Ontem, fechando o Rock in Rio, isso ficou claro para os milhares de fãs brasileiros que ainda acreditavam, em sua vã inocência ou mera cegueira fanática, que, ao anunciar o Guns N' Roses, o RiR os entregaria o grupo que fez história no mesmo festival em 1991. O que vimos no palco encharcado da última noite do Rock in Rio foi um festival de bizarrices mais adequado aos freak shows que viajavam os Estados Unidos nas primeiras décadas do século XX.

Axl Rose é idolatrado no Brasil. Aqui, em nosso país, ele é uma espécie de deus. Grande parte dos fãs o enxerga como um ser especial, acima do bem e do mal, para quem tudo é permitido. Essa idolatria alimenta o mundo fantasioso em que Rose vive, cercado por dezenas de assessores e quilos de cocaína, que, juntos, o transportam para uma realidade onde ele imagina ainda estar no início dos anos noventa. Não há mais Slash, não há mais Duff, não há mais Izzy ao redor de Axl para produzir a sonoridade pesada e violenta que caracterizou o Guns até "Use Your Illusion". A banda que o acompanha hoje em dia mais parece um conjunto de cabaré formado por seres esquisitos, reunidos como parasitas ao seu redor.

As mais de 100 mil almas que ontem estiveram no Rock in Rio eram formadas, em sua maioria, por pessoas que conheceram o rock através do Guns N' Roses. E é justamente aí que está o maior mérito da banda: em seu auge, quando estava no topo, o grupo atraiu milhões de novos ouvintes para o gênero. Porém, o problema é que a maioria desses ouvintes ficou só no Guns mesmo, não se interessando por outros nomes dentro do estilo e cultuando, até hoje, a imagem idealizada que foi a trilha-sonora de suas juventudes.

Axl Rose, com todas as suas esquisitices, se transformou em uma espécie de Michael Jackson do hard rock, habitando uma realidade alternativa doentia e catastrófica, onde tudo gira conforme as suas variações de humor. Um cara como Axl só alcança, atualmente, o posto de atração principal em festivais como o Rock in Rio, que acontecem em países onde o seu passado ainda é idolatrado, sabe-se lá a razão. Em eventos que estão alinhados com o que ocorre atualmente na música, Axl e sua banda atual passariam longe do palco. Basta ver o cast dos festivais europeus, que, apesar de promoverem o retorno de diversos ícones dos anos oitenta, tem bom senso e sabem que o negócio de Axl atualmente gira em torno de tudo, menos da música.

Deu pena ver o que o vocalista fez com o seu público ontem, no Rock in Rio. Uma audiência formada por dezenas de milhares de pessoas de todas as regiões do Brasil, que se deslocaram para o Rio de Janeiro em busca de sonhos e ilusões, esperaram pacientemente o desfile de atrações que desfilavam pelo palco - algumas ótimas, como o System of a Down, outras que nem merecem comentários, como o Detonautas -, passaram horas de pé em um evento ao ar livre e, pra piorar tudo, ainda foram brindadas com uma chuva torrencial sobre suas cabeças. Tudo o que essas milhares pessoas precisavam era que Axl Rose fizesse o mínimo, apenas o necessário, sem maiores esforços, e elas já estariam satisfeitas. Mas não. Axl nem isso consegue fazer mais. Perdido em sua própria fantasia de rock star, Rose entrou acompanhado por uma banda perdida e que errava notas em profusão, e, para piorar, provou que a sua voz está a séculos de distância do que já provou ser capaz.

Axl Rose não merece os fãs que tem. Se você gosta de Guns, não seja tolo de tentar reviver o passado da banda através do trabalho que Axl faz atualmente. Se você quer sentir o gostinho do grupo hoje em dia, ouça o que Slash anda fazendo. O guitarrista gravou um ótimo disco em 2010 e está tocando sem parar pelo mundo. O mesmo vale para o baixista Duff McKagan, que acabou de lançar um álbum novo com o seu grupo Loaded. Mas, em relação a Axl, a única coisa que se pode dizer é que aquele ícone que foi objeto de desejo das garotas e ídolo dos adolescentes no final dos anos 1980 e início dos 1990 hoje é apenas uma piada de mau gosto vestida em figurinos espalhafatosos.

Pensando bem, o Axl Rose atual guarda similaridades com os finados Reis do Pop e do Rock: ele é tão esquisito quanto Michael Jackson em seus últimos dias e está cada vez mais parecido, em todos os sentidos, com o balofo Elvis que era atração de gala nos cassinos de Las Vegas na década de setenta. Aliás, pode estar aí o futuro de Axl: se transformar em crooner para clones de Donald Trump e Chiquinho Scarpa.

ENTREVISTA EXCLUSIVA COM FIONA FLANAGAN

Desde o lançamento do clássico "Squeeze" - em 1992 - os fãs do bom e velho AOR aguardavam pelo retorno de Fiona Flanagan (foto), fato que parecia cada vez mais distante da realidade. Mas eis que no ano passado ela anuncia sua volta aos estúdios, sendo empresariada por ninguém menos que Robin Beck. Descenessário dizer que a ansiedade tomou conta da comunidade AOR e agora que o lançamento do álbum e aproxima - 17 de Outubro - Ms. Flanagan retorna à AORWatchTower para falar sobre seu mais recente trabalho.


01.
Lá se vão vinte anos desde "Squeeze" e eu sei que você recebeu muitos convites para retomar a carreira ao longo dos anos. Porque agora, então?


Fiona: Robin me fez voltar. Ela conversou comigo e me me mostrou a idiota que estava sendo por não estar mais cantando. Deu certo.


02. Robin Beck é sua empresária. Como vocês se envolveram profissionalmente?


Fiona: Essa é uma pergunta muito pessoal e ambas somos casadas (risos)


03. Uma pergunta que eu realmente preciso fazer: esse retorno é apenas para um álbum ou você realmente está retomando a carreira?


Fiona: Me diga você. Eu não tenho idéia. A coisa toda está me surpreendendo. Estou me divertindo muito e amo cantar.


04. Ok, vamos falar de "Unbroken". Qual o conceito por trás do nome do álbum?


Fiona: Minha canção favorita no álbum é "Broken". Parece divertido, não? Enfim, James Christian escreveu o refrão, Tommy Denander e eu escrevemos o resto. Quando Andrew tirou a foto que está na capa do álbum minha irmã e eu enlouquecemos! A imagem lembra a Vitória da Samotrácia e ela está quebrada, mas ainda maravilhosa e resistindo ao tempo. Naquela altura eu iria batizar o album de "Broken" mas aí resolve dar um enfoque mais positive e que refletisse como sou, por isso mudei para "Unbroken".


05. Você cercou-se de grandes nomes para graver esse album e entre seus colaboradores estão Tommy Denander, Holly Knight e James Christian. Como foi trabalhar com eles?


Fiona: Bem, eu compus com Holly anos atrás e foi muito divertido. Eu fui até sua casa com algumas idéias e ela tocou teclados e brincamos um pouco com o material, mas ela sempre sabe o que está fazendo. Ela foi muito gentil e tem uma casa muito bacana. Já com Tommy e James foi um pouco diferente: eles me mandavam as trilhas e eu compunha melodia e letras e quando me encontrava em um beco sem saída, James aparecia e colaborava, mesmo durante as gravações. Eu dizia coisas como "Ahhh, eu não sei, você tem alguma idéia melhor para essa linha melodia?"


06. Eu sei que James Christian se envolveu no projeto por ser marido de Robin, mas como Denander e Knight foram trazidos?


Fiona: Como eu disse, Holly e eu havíamos trabalhado juntas quando gravei "Squeeze". Adorei aquela canção mas a Geffen não e por isso ela acabou ficando de fora do álbum. Agora tudo isso dependia apenas de James e eu e adoramos isso. Tommy é um grande amigo de Robin e James, então ele começou a enviar trilhas, e eu nem o conhecia. Nos comunicávamos por mensagens. Ele é muito divertido e adoro a maneira como toca guitarra.


07. Você também teve a oportunidade de trabalhar novamente com Marc Tanner e Bobby Messano. Deve ter sido muito bacana para você...


Fiona: Bobby e eu começamos e tocar juntos pela região há alguns anos e sempre falávamos em fazer alguma coisa juntos, mas nunca fizemos. Eu estava muito nervosa quando comecei a cantar com ele, só nós dois, mas ele é um grande músico e resolvi relaxar. Ele continua a mesma pessoa que conheci há anos atrás, divertido, carinhoso, reclamão, ele é um doce. Ele organizou um show com minhas canções antigas para que pudéssemos abrir o show da banda Starz. Foi muito legal porque eu não cantava aquelas canções haviam anos Ele também me ajudou com um show beneficiente para uma escola local e adoramos conversar e sair juntos. Ele está na estrada agora com seu novo álbum de blues. É ótimo. Marc Tanner! Eu o encontrei em um restaurant em Santa Monica no ano passado e quase desmaiei. Foi maravilhoso encontrá-lo. Ele estava de ótimo humor. Foi divertido apresentá-lo para meus filhos. Ele tem sua própria empresa hoje, chamada Chime Entertainment. Ele tem um grande coração e sempre lhe digo que ele é muito famoso na Escandinávia!


08. O album tem várias canções ótimas e gostaria de falar sobre algumas delas: vamos começar com a excelente "This Heart" que é um belíssimo dueto entre você e Robin. De quem foi a idéia do dueto e como foram as gravações dessa canção?


Fiona: Laura McDonald e eu escrevemos essa canção há anos. Eu tentava cantá-la como Lou Gramm. Robin e eu queríamos um dueto, nada muito meloso e sim algo mais forte, então Bobby veio e escrevemos um novo refrão e regravamos tudo. Robin foi muito divertida porque comecei a cantar antes e usei notas muito altas que eram fáceis de vocalizar. Foi estranho! Às vezes as notas altas são as mais fácies porque você consegue transparecer emoção sem precisar forçar a voz. Foi maravilhoso cantar com ela e isso ela sabe fazer. Eu não converso sobre a mecânica de vocais porque poucas pessoas na minha vida fazem isso como meio de vida como eu fazia, então eu me sentia no paraíso. Robin é uma vocalista de outro mundo. Ela mal levanta, abre a boca e canta. Você precisaria estar lá para ver.


09.
Duas canções que chamaram minha atenção desde a primeira audição foram "I’ve Released You" e "I Love You But Shut Up", ambas compostas por um trio chamado The Elements. Como vocês acabaram trabalhando juntos?


Fiona: Eles são amigos de James. Ele me enviou a versão deles para “I've Released You” e eu adorei. Mudamos o tom e James me ajudou muito. Foi a mesma coisa com “I Love You But Shut Up” . Canção bem divertida,meus filhos a adoram.


10. Também há uma versão para "Shadows Of The Night", de Pat Benatar. Porque uma cover ao invés de outra canção inédita e porque aquela canção, especificamente?


Fiona: Quando eu estava escrevendo e compilando material para o album, Bobby sugeriu que eu desse uma olhada em canções de DL Byron e eu descobri a versão original de "Shadows Of The Night" tinha letra diferente. Achei que seria uma ótima idéia para um dueto e propus à John Eddie, mas ele recusou. Então comecei a rir, balançando minha cabeça em surpresa e pensei "Que se dane, isso é muito bacana e amo essa canção". Eu cantei em um tom mais baixo propositalmente porque não queria soar como uma mera cópia de Pat Benatar, ela é maravilhosa, mas de alguma maneira quis tornar aquela canção minha. Ela significa muito para mim, a letra é pesada. Foi muito divertido e diferente de todas as outras canções no álbum.


11. Você começou sua própria gravadora, a Life On The Moon Records. Esse é o nome de uma canção composta para você por Jani Lane, e que está no álbum "Squeeze". Quais suas lembranças dele?


Fiona: Eu lembro de Jani como um deus, como Apolo. Todos os caras do Warrant, eu ia com Beau Hill vê-los tocar em Northridge em um clube antes de eles assinarem contrato com a Columbia Records. Acho que o empresário deles havia contatado Beau, etc. Enfim, eles estavam todos vestidos de branco, subindo uns nos ombros dos outros e tocando muito bem. Foi um show maravilhoso e meus hormônios estavam enlouquecendo. Beau acabou produzindo os dois ou três primeiros álbuns deles então vi os caras subirem cada vez mais alto. Eles eram tão cheios de vida e compartilhei disso. Eu não tinha tido contato com Jani desde que Beau e eu nos separamos anos atrás e fiquei arrasada quando soube de sua morte. Eu estava me enrolando para lançar esse álbum, já estava pronto, e depois da morte de Jani eu pensei "O que estou esperando? De que tenho medo?" Por isso batizei a gravadora Life on the Moon Records.


Fiona, foi um enorme prazer falar contigo novamente. Gostei muito de "Unbroken" e te desejo todo sucesso que você merece. Espero que você retome sua carreira e mal posso esperar por mais material inédito. As portas de AORWatchTower estão sempre abertas à você...


Fiona: Obrigado, Juliano, e Bom Dia!!!! Eu amei o Rio. Nunca vi lugar mais lindo em minha vida. Espero voltar ao Brasil em breve. E se vocês quisrem ouvir minha música, visite o site www.fionarock.com. Espero que vocês curtam ouví-las tanto quanto eu curti gravá-las.


Fiquem bem…

AVISO

Devido as chuvas aqui o sul da Terra Brazilis , não teremos a Recomendação Da Semana hoje. Retornaremos em breve...