sexta-feira, 5 de abril de 2013

ENTREVISTA COM PIERPAOLO MONTI

Álbum da Charming Grace chegou às lojas em Março passado
Em 2010, os italianos Pierpaolo Monti e Amos Monti criaram a Shining Line, projeto que trazia a participação de vários vocalistas e que se tornou um dos trabalhos mais bacanas daquele ano. Agora, a dupla retorna, acompanhada do vocalista Davide Barbieri,  com a Charming Grace. O projeto segue a mesma linha do anterior, e mantém a mesma qualidade. E para falar sobre o desenvolvimento do projeto até o lançamento do álbum, conversei com Pierpaolo e lhes trago a entrevista exclusiva que ele concedeu à Terra Brazilis.

Enjoy...

A Charming Grace foi criada com a colaboração de Davide "Dave Rox" Barbieri, da Hollywood Rocks. Como se deu a concepção do projeto? 

Pierpaolo Monti: Olá Juliano! Primeiramente, muito obrigado pela oportunidade dessa entrevista. É ótimo ter a chance de falar com você novamente! A Charming Grace nasceu em 2011. Eu contatei Dave depois de ouvir o ótimo álbum de estréia da Wheels Of Fire, "Hollywood Rocks", e lhe pedi para cantar em uma demo da Shining Line chamada "The Sound Of Your Heart". Dave respondeu positivamente e teve uma performance maravilhosa naquela canção. Naquele momento, lhe convidei para colaborar em novo projeto de AOR e assim nasceu a Charming Grace, com a primeira canção "The Sound Of Your Heart", originalmente escrita para a Shining Line, que acabamos usando para a Charming Grace! 

Uma pergunta bastante óbvia: porque o nome Charming Grace?  

Pierpaolo Monti: Ótima pergunta, Juliano. Quando começamos a pensar em um nome perfeito para um projeto de puro AOR, decidimos optar por um que sugerisse elegância, inteligência e refinamento. E eu tinha o nome Charming Grace na minha cabeça. Dei a idéia à Dave e Amos e ambos gostaram.

O álbum traz um cast estelar de excelentes músicos. Como você escolheu-os, de maneira geral? 

Pierpaolo Monti: Uma coisa que eu adoro fazer é colaborar com diferentes artistas, porque acredito que coisas bacanas acontecem quando você divide suas idéias e pensamentos, especialmente se são fãs de música. E foi por essa razão que entrei em contato com alguns de meus artistas favoritos e lhes propus a colaboração. Eu já havia feito a mesma coisa com a Shining Line e tive ótimos resultados. Entrei em contato com os convidados de maneiras diferentes. Alguns são pessoas que eu já havia contatado anteriormente, enquanto outros (como David Forbes e Moon Calhoun) eram apenas nomes com os quais eu gostaria de trabalhar, e assim comecei uma busca gigantesca na internet. Não foi fácil, mas a satisfação de encontrá-los é gigantesca.

Durante o processo de composição das canções, alguma delas foi escrita especificamente para um dos vocalistas? 

Pierpaolo Monti
Pierpaolo Monti: Assim como aconteceu com a Shining Line, eu adoro escrever canções com uma idéia bastante clara em mente sobre que tipo de vocalista gostaria que a interpretasse, mas outras vezes crio canções apenas com a melodia na cabeça, escolhendo o vocalista mais tarde, levando em conta seu tipo de voz. Faço sempre as duas coisas e é sempre uma emoção renovada.

Qual foi o critério usado - se é que houve algum - para escolher os vocalistas? 

Pierpaolo Monti: Você deve prestar atenção à certas coisas. Se você escreve uma canção pensando em um determinado vocalista, deve ter o cuidado de compô-la com as notas certas, respeitando sua extensão vocal, e também deve arranjá-la de maneira correta para que o vocalista possa se expressar com a melodia vocal originalmente proposta para a canção. Entretanto, quando você começa a pensar no vocalista perfeito para uma canção já pronta, deve-se prestar atenção para não selecionar o material errado para o artista, evitando que o resultado seja insatisfatório. Se você combina, cuidadosamente, a canção correta para o vocalista certo, terá uma mistura perfeita para um perfeito melodic rock!

Entre todos os convidados, qual foi o mais difícil de contatar? 

Pierpaolo Monti: Acredito que tenham sido David Forbes e Moon Calhoun! Na verdade, ambos estavam absolutamente fora da cena desde a últim,e  não foi nada fácil achá-los. Para encontrar Dvid, começamos uma busca minuciosa na internet, combinando algumas informações que nos levaram a descobrir seu número de telefone! Você pode não acreditar, mas ligamos para a casa dele! Quem atendeu a ligação foi sua esposa, Karen. Ela ficou um pouco desconfiada na hora, mas educadamente nos pediu para retornar a ligação no dia seguinte, após ela falar com David. Foi incrível!

Mas com Moon foi mais fácil, porque entrei em contato com ele através de Jeff Paris, que produziu a canção de Moon na Charming Grace e que também gravou excelentes backing vocals nessa mesma canção. O resultado é fantástico! 

Há duas covers no álbum: "Everybody’s Broken" (Bon Jovi) e "Leave A Light On" (Belinda Carlisle). Qual o motivo da escolha dessa canções, especificamente? 

Pierpaolo Monti: Outra ótima pergunta! Dave e eu somos grandes fãs do Bon Jovi, mas devo admitir que não gostamos de seu álbum mais recente. Enfim, pensamos que com uma produção diferente (mais voltada ao rock), muitas canções poderiam melhorar em qualidade, e foi por essa razão que resolvemos testar "Everybody’s Broken"! A idéia era rearranjar a canção em um formato mais clássico, algo que o Bon Jovi poderia ter feito na década de 80. Gosto muito do resultado final. Em relação a "Leave A Light On", essa é uma das canções preferidas de Dave,e  quando ele perguntou à mim e Amos se poderia gravar uma versão com mais pegada dessa canção, concordamos na hora. E acho que o resultado foi excelente.

E porque não incluir outras duas canções inéditas ao invés das covers

Davide Barbieri
Pierpaolo Monti:  Acredito que oferecer uma versão diferente de uma canção é algo bacana de se fazer, já que você pode re-trabalhar o material todo. Não faria sentido, em minha opinião, gravar uma cover que seja totalmente comparável à original. Me parece estupidez! Mas eu não teria nenhum problema em escrever mais duas canções, mas como disse anteriormente, apenas queríamos tentar algo diferente e oferecer nossa interpretações das canções já citadas.

Eu tenho certeza que muita gente esperava um segundo álbum da Shining Line ao invés de um novo projeto. O que lhe motivou a isso? 

Pierpaolo Monti: Há duas razões para isso: a primeira é que a Charming Grace tem um conceito diferente se comparada com a Shining Line, porque temos um terceiro integrante conosco, que também é o vocalista principal no álbum, o que não aconteceu na Shining Line  que teve cada canção interpretada por um vocalista diferente. 

A segunda é que os fãs tem grandes expectativas para o segundo álbum da Shining Line, e isso implica em um alto investimento financeiro, algo que não era possível naquele momento devido a uma série de ocorridos na minha vida pessoal no ano passado, como a perda da minha amada mãe para um câncer, algo que repercutiu violentamente em vários aspectos da minha vida, incluindo o financeiro. Mas lhe garanto que quando a Shining Line retornar, será em grande estilo, com uma produção bombástica e um lineup maravilhoso, daqueles que os fãs do melodic rock sonham!

Ainda assim, a Charming Grace tem algumas semelhanças com a Shining Line, e uma delas é a variedade de vocalistas... 

Pierpaolo Monti: Sim, e como eu disse anteriormente, isso se dá porque eu gosto muito de trabalhar com pessoas diferentes. Gosto de dividir idéias e músicas com outras pessoas, especialmente com artistas cujos trabalhos eu ouço. Acho que essa é uma ótima maneira de criar algo bacana. 'Colaboração' tem sido a palavra-chave para mim, porque quando talentos diferentes se combinam, o resultado não pode ser ruim.

O álbum da Charming Grace tem 14 canções, e com exceção das covers, você é autor - ou co-autor - de todas elas. Há alguma favorita entre elas?

Amos Monti
Pierpaolo Monti: Posso lhe dizer que amo todas aquelas canções. Sou muito crítico com minhas músicas e nunca lançaria uma que não considerasse boa o suficiente. De qualquer maneira, uma canção é bastante especial: "Through The Stars", que é dedicada à minha mãe, falecida no ano passado. Eu era muto próximo a ela e sinto sua falta diariamente. Que descanse em paz.

Pierpaolo, foi um grande prazer falar contigo novamente, meu amigo. Lhes desejo todo o sucesso com a Charming Grace e as portas da AORWatchTower estão sempre abertas à você. 

Pierpaolo Monti: Juliano, acho que nunca poderei lhe agradecer o suficiente por seu apoio e sou muito grato por sua amizade. Você vem prestando um maravilhoso serviço ao universo do melodic rock com a AORWatchtower, e lhe sou muito grato por isso. 

Aproveito para mandar um grande abraço à todos os seus leitores e saudações da Itália, esperando um dia encontrá-los. Enquanto isso, visitem o site oficial da Charming Grace (http://www.charminggraceaor.com/), e lá poderão encontrar formas de se comunicarem conosco.

E mais uma vez, Juliano...agradeço pela paixão que você imprime em seu trabalho no apoio ao melodic rock.  Continue com o excelente trabalho...

MAGNUS KARLSSON VEM COM ÁLBUM PROMISSOR

Magnus Karlsson anuncia projeto interessante
O guitarrista Magnus Karlsson trabalha há mais de uma década com os italianos da Frontiers Records, escrevendo canções e produzindo artistas de seu cast. Nada mais justo que, depois de tanto tempo, ele próprio lançasse um álbum. Pois agora, o guitarrista anuncia o lançamento de seu projeto Free Fall, cujo trabalho de estréia chegará às lojas em 11 de Junho no mercado norte-americano, via Frontiers Records. O álbum será lançado na Europa três dias depois.

Contando com belo time de vocalistas, Karlsson promete trazer uma poderosa mistura de melodic metal e hard rock, e uma prévia do que vem por aí pode ser ouvida aqui.

O tracklist é o seguinte:

01 Free Fall (Featuring Russell Allen)
02 Higher (Featuring Ralf Scheepers)
03 Heading Out
04 Stronger (Featuring Tony Harnell)
05 Not My Saviour (Featuring Rick Altzi)
06 Us Against The World (Featuring David Readman)
07 Our Time Has Come (Featuring Mark Boals)
08 Ready Or Not
09 Last Tribe (Featuring Rickard Bengtsson)
10 Fighting (Featuring Herman Saming)
11 Dreamers & Hunters (Featuring Mike Andersson)
12 On Fire

No mínimo, parece promissor...

RECOMENDAÇÃO DA SEMANA

Nos últimos anos, temos assistido o surgimento de uma série de projetos que reúnem alguns grandes nomes do universo dos bons sons. É verdade que nem todos vingam e/ou agradam os entusiastas do AOR/Melodic Rock (mais especificamente), mas algumas boas surpresas costumam estar reservadas nesses trabalhos. Pois agora, vemos o nascimento da Laneslide, projeto criado pelo veterano guitarrista italiano Bruno Kraler (mais conhecido pelo nome de Brunorock) e que também conta com as ilustres presenças dos igualmente veteranos vocalista Frank Vestry, do baterista Dominki Hülshorst, do baixista John Billings e do onipresente tecladista Alessandro Del Vecchio. Além deles, participam do álbum "Flying High" os grandes Erik Mårtensson e Michael Bormann, provendo luxuosos backing vocals. Com um approach contemporâneo e que mescla uma base melodic rock com elementos AOR, a Laneslide chega como uma bela surpresa nesse primeiro semestre.

O álbum começa com "Flying High" e seu órgão 70's, acompanhado por guitarras bem postadas dentro do ótimo arranjo onde Mr. Vestry lembra aos mais esquecidos o quão excelente vocalista ele é. O refrão é arrepiante, explosivo, amarrado por backing vocals precisos , e esse conjunto de qualidades coloca essa canção, desde já, como um dos destaques do álbum. Seguimos com "Hangin' Out Here", um descomunal radio friendly rocker onde as guitarras dividem espaço com teclados discretos, mas onipresentes ao longo da canção. Me agrada demais o arranjo e métrica, especialmente no refrão arregaçante, perfeito para ser ouvido no volume máximo. Pessoalmente, aponto esses 03:54 minutos como o grande destaque do álbum. Em seguida chega "You Can Make It", onde o arranjo mais dinâmico imprime energia à uma canção muito bem amarrada por guitarras bastante simples, mas extremamente eficientes. Uma vez mais, Frank Vestry mostra o que é capaz de fazer e capricha nos vocais. Essa canção é, sem dúvida, outro grande destaque do álbum e merece toda a sua atenção.

Alessandro Del Vecchio, John Billings e Frank Vestry
Na sequência chega "River Of Love", rocker mais cadenciado onde o baixo de Mr. Billings ganha mais destaque, acompanhado de perto  por teclados e guitarras. O arranjo mais hard rock cai como uma luva para Mr. Vestry, que tem aqui uma de suas melhores interpretações no álbum. A métrica é bastante simples,  assim como o refrão e seus backing vocals precisos, mas a canção tem muita energia e figura entre os destaques do álbum. Já "Dancing Girls" é focada quase que totalmente nas guitarras, apesar da presença de teclados no refrão e na introdução, onde acho que houve um certo exagero. Mas o resultado final é bacana e merece múltiplas audições, mas me parece não ter o mesmo brilho das canções anteriores. Enfim, ouçam e tirem suas próprias conclusões. Da mesma maneira, "Understand" traz um arranjo alternante nos versos e bridges, além do refrão. Pessoalmente, me agradaria mais se houvesse uma constância nesse ponto, mas ainda assim há que se elogiar a performance de Mr. Vestry. Acredito que o resultado seria melhor sem a variação no arranjo, mas ouçam e tirem suas próprias conclusões.

Bruno Kraler e Dominik Hülhorst
Seguimos com "Self Control", versão anabolizada para o clássico pop da grande Laura Branigan (R.I.P.). Não sou chegado a covers, mas confesso que essa aqui me agradou bastante, e por um simples motivo: não houve interferência nas bases melódicas, apenas o arranjo ganhou uma saudável dose de guitarras e novos teclados. Resultado surpreendentemente bacana e que merece sua atenção, assim como "Look The Other Way", excelente rocker dominado por guitarras dominantes e que criam uma base permeada por teclados bem postados. Uma vez mais, há que se destacar os excelentes vocais de Frank Vestry, simplesmente perfeitos. Temos aqui mais um grande destaque do álbum, assim como acontece com "Your Fight", rocker arrasador onde guitarras e teclados disputam espaço o tempo todo, mas de maneira bastante ordenada. O arranjo é ótimo e conta com um refrão marcante, do jeito que os deuses dos bons sons gostam. Volume máximo e múltiplas audições, por favor!!! Finalmente, chega "Washed Away", uma surpreendente balada que no estilo piano/voz. O arranjo intimista é um choque em comparação com as outras canções, mas funciona perfeitamente. A métrica da canção é excelente e Mr. Vestry, uma vez mais, acerta em cheio com uma performance irretocável, o que faz dessa canção outro grande destaque do álbum.

Em resumo, caríssimas e caríssimos, a Laneslide desponta como uma das grandes surpresas de 2013. É uma satisfação ouvir material do grande Bruno Kraler depois de alguns anos, ainda mais acompanhado por Frank Vestry, um vocalista que merece muito mais reconhecimento do que tem. Além disso, há que se mencionar o entrosamento entre os integrantes do projeto na hora de escrever as canções para o álbum, o que resultou em um conjunto bastante coeso e de alta qualidade. Isto posto, reafirmo que a Laneslide é uma excelentes surpresas do ano, e um álbum que merece lugar em sua coleção.

LANESLIDE - Flying High
To be released on April 12th, via Avenue Of Allies
Cat. # Avenue 13 01 0049

Tracklist
01 Flying High
02 Hangin' Out Here
03 You Can Make It
04 River Of Love
05 Dancing Girls
06 Understand
07 Self Control
08 Look The Other Way
09 Your Fight
10 Washed Away

Lineup
Frank Vestry: vocals
Bruno Kraler: guitars
Alessandro Del Vecchio: keyboards, piano
Dominik Hülshorst: drums
John Billings: bass

Guest Musicians
Erik Mårtensson: backing vocals
Michael Bormann: backing vocals
Bobby Altvater: guitars, backing vocals
Lino Gonzales: guitars

AVISO

Devido as chuvas aqui o sul da Terra Brazilis , não teremos a Recomendação Da Semana hoje. Retornaremos em breve...