sexta-feira, 14 de junho de 2013

ENTREVISTA EXCLUSIVA COM INDIGO BALBOA

Indigo Balboa
Na semana passada recomendei aqui o excelente álbum dos espanhóis do Indicco, banda que chega como uma das melhores surpresas do ano até agora. Contando com grandes convidados e contendo uma mescla muito bem equilibrada entre AOR e AC Rock, o álbum "Karmalion" já figura entre as aquisições obrigatórias de 2013. E como perder tempo não me interessa, entrei rapidamente em contato com o vocalista Indigo Balboa, que gentilmente atendeu ao meu pedido e concedeu essa entrevista exclusiva para a AORWatchTower.

Enjoy...

Vocês começaram a trabalhar nas canções de "Karmalion" em 2008. Agora, cinco anos mais tarde, o álbum finalmente foi lançado. Porque o material levou tanto tempo até chegar às lojas? 

Indigo Balboa: Se você quiser dar o seu melhor, deve andar ao invés de correr, porque você pode tropeçar ao longo do caminho e quando se está gravando um álbum, isso parece uma eternidade. Então precisamos ser cuidadosos, como somos com uma criança. 

Você estava trabalhando com Mark Spiro em seu segundo álbum solo. Em que momento esse trabalho se transformou no álbum do Indicco?

Indigo Balboa: Esse foi outro motivo pelo qual "Karmalion" demorou à ser lançado. Eu precisei combinar ambas as coisas, gravar na Espanha e nos Estados Unidos para ambos os projetos. Paco Cerezo tinha resolvido acabar a 91 Suite e eu tinha tempo para iniciar um novo projeto, então decidimos juntar forças e, naquele momento, nasceu o Indicco.

A orientação musical mudou muito desde aquela época?

Indigo Balboa: Se compararmos o melodic rock com outros gêneros, acredito que sim. Muitas grandes bandas estão voltando à ativa (e não apenas por dinheiro) e, com isso, uma nova geração está descobrindo esse tipo de música, esse estilo de vida. Hoje em dia, adolescentes assistem à filmes como "Tron: Legacy" e quando ouvem "Separate Ways" do Journey dizem: 'Uau, isso é ótimo!!!'. Mais tarde, esses adolescentes estarão na internet buscando mais informações sobre esse tipo de música, e é nesse momento que eles são fisgados! Isso aconteceu comigo há mais de 20 anos atrás, mas era mais difícil sem a internet. Então, é fato: o melodic rock está vivo... e bem vivo! 

Como vocês assinaram com a New Venture Music?

Indigo Balboa: Na verdade, tivemos muitas ofertas e um dia antes de assinarmos com outra gravadora recebemos a oferta da New Venture Music. A empresa foi fundada por Gregor Klee (da Avenue Of Allies) e Birgitt Schwanke (da Germusica), e, com essas referências, decidimos assinar com eles e estamos muito satisfeitos com a nossa escolha. 

O excelente "Karmalion", lançado hoje
Com um excelente álbum de estréia, não é surpresa que o Indicco já seja apontado como uma das melhores 'novas bandas' de 2013. E "Karmalion" vem recebendo críticas excelentes mundo afora. Como vocês estão assimilando isso tudo?

Indigo Balboa: Obrigado! Tudo isso tem sido uma grande surpresa, especialmente quando lemos as críticas do mundo e elas tem sido favoráveis. É maravilhoso! Trabalhamos muito por isso e só em ler essas críticas positivas já nos sentimos recompensados.

De acordo com o press release, as influências da banda incluem Bad English, Giant, Survivor, Toto e outras. E essas influências me parecem evidentes em sua música. Ma quais são as influências do vocalista Indigo Balboa?

Indigo Balboa: Posso lhe dizer que sinto a mesma coisa que você em relação ao álbum. Ele foi gravado por mim e Paco Cerezo e temos as mesmas influências. Mas as influências que tenho enquanto vocalista são Jimi Jamison, Steve Perry, Joseph Williams, John Wetton, Rick Springfield, Joe Lynn Turner, Dan Fogelberg, Johnny Hallyday... só para citar alguns..

É óbvio que todo artista faz o seu melhor quando começa a criar um novo trabalho, mas o Indicco supreendeu com a alta qualidade de seu álbum. Como funcionou o processo de gravação?  

Indigo Balboa: Paco e eu nos entendemos bem desde que nos conhecemos. Quando começamos a trabalhar juntos, essa afinidade aumentou e isso se revela nas composições. As idéias fluíram facilmente entre nós. 

Mark Spiro estava envolvido no projeto desde o início. Como foi trabalhar com ele? 

Indigo Balboa: Eu só tenho coisas boas a dizer sobre Mark. Ele é fantástico! Todo o tempo que passei em seu estúdio foi incrível e aprendi muito com ele. Nós decidimos incluir algumas idéias dele em "Karmalion" naquele momento, e acho que foi uma ótima idéia germos deixado a sua 'marca registrada' no álbum.

Indigo Balboa e Paco Cerezo
Foi ele quem trouxe Tim Pierce?

Indigo Balboa: Sim. Eles são muito amigos e isso acabou send uma vantagem para nós.

E como Jimi Jamison se envolveu com o Indicco?

Indigo Balboa: Eu conheço Jimi desde 2006. Fui em quem fez as adaptações para o espanhol dos sucessos do Survivor para os shows que ele fez na América do Sul. Ele nunca cantou aquelas músicas em espanhol, porque isso é muito difícil para um norte-americano. Mas mantivemos contato desde então e há cerca de dois anos, discutimos a possibilidade de ele voltar à Espanha. E ele veio duas vezes, e na hora certa.  

Outro convidado no álbum é David Palau, do Güru...

Indigo Balboa: Ele tocou conosco há um ano, cara muito bacana! Paco e eu conversamos e decidimos que ele poderia tocar em "Karmalion". Ele tocou as guitarras adicionais em uma canção. 

Indicco fará alguns shows para promover seu álbum e, de acordo com o press release, Jimi Jamison  acompanhará a banda em alguns desses shows. Já existe alguma data definida?

Indigo Balboa: Jimi tocará conosco, realmente. Mas a primeira data que temos definida é 24 de Agosto, quando abriremos o show do grande Robert Tepper, em Madri.    

Indigo, foi um prazer falar contigo. Lhe desejo todo o sucesso do mundo e espero que possamos nos falar novamente. As portas da AORWatchTower estão abertas à você... 

Indigo Balboa: Muito obrigado, estou muito agradecido. Esperamos que todos gostem de "Karmalion" e que consigam se identificar com o que quisemos transmitir através do álbum: karma, espiritualidade, energias positivas, sexo, surfe e rock'n roll!!!  Nossos agradecimentos à todos vocês...

RECOMENDAÇÃO DA SEMANA

Na última terça-feira o clássico "Mood Swings" completou duas décadas de  seu lançamento, e com isso em mente resolvi recomendar um dos meus singles preferidos do Harem Scarem. Retirada daquele álbum, a excelente "If There Was A Time" foi a única canção promocional retirada do álbum, e figura entre os clássicos da banda. Ainda, o single trazia outras três canções ao vivo, gravadas no RPM Club em Toronto, no dia 22 de Janeiro de 1994. Uma grande pedida para quem curte o som da banda.

Logicamente, o single abre com "If There Was A Time", composta por Harry Hess e Pete Lesperance. A introdução do piano e guitarra acústica engana quem não conhece a canção, que logo ganha a companhia da bateria e baixo. Gosto muito do arranjo simples e do andamento, assim como da métrica, especialmente no refrão. Cabe destacar o ótimo trabalho de monsieur Lesperance nas guitarras e a destruidora interpretação de Mr. Hess. Canção para ser ouvida no volume máximo, sem nenhuma moderação.

Seguimos com "Hard To Love", em uma arrasadora versão ao vivo. Com uma linha de baixo mais evidente do que a versão de estúdio, essa gravação ganha mais peso, além de ter uma dinâmica um pouco diferente, mas muito positiva. A melodia envolvente ganha ainda mais força e o refrão explosivo soa monstruosamente mais potente, assim como ótimo solo de guitarra. Impossível não se arrepiar com outro grande clássico da discografia dos canadenses. Canção para ser ouvida com as janelas abertas e volume quase ensurdecedor, sempre que possível. Seguimos com "Mandy", baladaça instrumental que conta com baixo em primeiro plano, acompanhado pela guitarra precisa de monsieur Lesperance, além da bateria de Mr. Smith e dos teclados discretamente postados ao fundo. Com andamento tradicional para esse tipo de canção, o destaque fica para o arranjo que ganha mais evidência e, consequentemente, acrescenta ainda mais brilho à essa canção

Harem Scarem: Smith, Lesperance, Hess e Gionet, circa 1994
E finalmente chega "No Justice", rocker destruidor e, sem dúvida alguma, um dos maiores clássicos do Harem Scarem. A guitarra e bateria que se apresentam freneticamente no início da canção ganham um dose extra de peso, aumentando ainda mais o poder dessa canção. Os vocais soam mais potentes, assim como o refrão aumenta seu alcance e envolve ainda mais. Uma verdadeira aula de melodic rock, feita ao vivo. O single termina com uma versão editada de "If There Was A Time", com 31 segundos a menos que a versão original. Um desperdício, já que podera ter sido incluída uma canção inédita ou, até mesmo, a versão alternativa de alguma outra canção.

Seja como for, tenho esse single como um dos meus preferidos dentro da coleção do Harem Scarem. E como fã incondicional da banda, mal posso esperar pelo relançamento de "Mood Swings" em Outubro, além do novo álbum que os canadenses lançarão em 2014. Enquanto isso, nos divertimos com o grande legado que a banda já possui, e dentro desse contexto, recomendo tremendamente esse single.

HAREM SCAREM - If There Was A Time
Released in 1994 via Warner Music Canada
Cat. # 4309-96032-2

Tracklist
01 If There Was A Time
02 Hard To Love (Live)
03 Mandy (Live)
04 No Justice (Live)
05 If There Was A Time (Edit)

Lineup
Harry Hess: vocals, keyboards
Pete Lesperance: guitars, backing vocals
Darren Smith: drums, backing vocals
Mike Gionet: bass, backing vocals

AVISO

Devido as chuvas aqui o sul da Terra Brazilis , não teremos a Recomendação Da Semana hoje. Retornaremos em breve...