quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

STEVE HACKETT FALA SOBRE O GTR

O legendário Steve Hackett
Se você já está orbitando no universo dos bons sons por algum tempo, o nome de Steve Hackett é mais que conhecido. Além de sua imensa colaboração ao Genesis, seu trabalho que mais me agrada foi com o GTR e seu único álbum'lançado em 1986.

E como esse material foi relançado há pouco tempo - em uma bela edição dupla - o guitarrista concedeu entrevista ao pessoal da Classic Rock Revisited e, na ocasião, falou sobre a banda e seu álbum.

Seu envolvimento com o GTR fazia sentido naquela época, já que você sempre me pareceu um compositor que tinha um tato refinado, como nas canções "Cell 151", "Every Day", "Hope I Don't Wake"... até mesmo "I Know What I Like" com o Genesis. Acredito que fez sentido para você se envolver em uma banda como aquela, do ponto de vista de um compositor...

Steve Hackett: Sim. A ideia do GTR nasceu em uma época anterior àquela em que os artistas tinham seus próprios selos. Então, na maioria do tempo, eu estava participando de audições para uma indústria que havia decidido que a linha de corte acontecia aos 35 anos. As gravadoras não contratavam artistas mais velhos. Então, eu entrei no limite com o GTR. Eu era jovem o suficiente. Valia a pena apostar em mim.

Você tem alguma ligação emocional com aquelas canções do GTR?

Steve Hackett: Vou te dizer uma coisa, eu acho que "When The Heart Rules The Mind" é uma tremenda canção e eu gostaria de, em algum momento, tocá-la ao vivo. Isto posto, você precisa levar em conta que precisa ter uma banda preparada para tocar essa canção, e interpretar essa canção, e ensaiá-la e reproduzi-la perfeitamente, além de tudo.

Você gosta do álbum do GTR?

Steve Hackett: Eu gosto tremendamente de partes do álbum, mas gosto inteiramente de "When The Heart Rules The Mind". Eu acho que é uma canção espetacular, que une o temendo espaço entre o rock e o pop. Quando eu cresci, ouvindo The Beatles e até mesmo The Monkees, eu achava que aquele espaço havia sido preenchido. Então, eu acredito ser possível produzir um tipo de música que satisfaça ambos os lados. Normalmente, as pessoas tendem a seguir um dos lados e há um preconceito em ação. Eu sempre busco a melhor melodia, sempre. Se você consegue se estender a um concerto ou uma sinfonia, boa sorte! Da mesma maneira, se você consegue escrever uma canção pop de 2 minutos que me anime tanto quanto ''Eleanor Rigby'', ótimo. Ou Roy Orbison, com sua voz doce e poderosa e suas canções românticas maravilhosamente interpretadas, músicas que não dependiam de grandes equipamentos de som, que soavam perfeitas em rádios pequenos. Havia algo de real naquelas canções. Não sou saudosista, mas as canções que cresci ouvindo, como ''I Am The Walrus'', que eu ouvia no rádio da cozinha, com apenas um auto-falante, provavelmente o pior equipamento de som já construído, e que soava gigantesca. Quantas bandas são capazes ou corajosas o suficiente para conseguir isso hoje em dia?

Quando lhe conheci em 1992, após um show no El Mocambo, em Toronto, eu devo ter passado a impressão de ser um fã te cercando no banheiro querendo um autógrafo, mas eu lhe perguntei naquela ocasião sobre o GTR e você me pareceu distante. Você reavaliou esse projeto ao longo dos anos?

Steve Hackett: Acredito que sim, com o passar do tempo. Steve Howe e eu conversamos a respeito e não há más lembranças. Muito recentemente eu encontrei Jonathan Mover e espero poder trabalhar com ele no futuro. Acredito que fomos bem, demos o nosso melhor, não concordávamos o tempo todo mas isso nem era o mais importante. Estávamos tentando produzir o melhor álbum possível naquele momento. Eu lembro de ter tido essa mesma conversa com ninguém menos que Pete Townsend, que disse que o GTR era muito promissor e tudo o que pude responder foi 'Yeah'. Então, basicamente, tenho muito orgulho do álbum. Steve e eu falamos mal dele, e falamos mal dele com a banda com aquela certeza característica de Churchill. Além disso, tínhamos um empresário que gostava de 'dividir e conquistar', então a atmosfera costumava ser pesada.

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