segunda-feira, 31 de julho de 2017

EXCLUSIVO: MARK SPIRO FALA SOBRE O CLÁSSICO "DEVOTION"

Você não precisa ser amplamente versado em AOR para reconhecer o nome de Mark Spiro.

Autor de vários sucessos interpretados por uma ampla gama de bandas e artistas, Spiro também é detentor de uma bem-sucedida carreira solo. E entre seus álbuns, o espetacular "Devotion" - lançado em 1997 - é apontado por muito como o melhor de seus trabalhos.

Com isso em mente entrei em contato com ele para falarmos a respeito e, como sempre, Mark foi muito cordial e concordou em falar sobre um dos mais relevantes álbuns de AOR (não apenas) da década de 90.

Enjoy...

01 "Devotion" foi seu primeiro trabalho a ser lançado pela hoje extinta MTM Music. Como você foi contato pela gravadora?

Mark Spiro: Faz muto tempo, mas como sempre aconteceu com meus álbuns, foi culpa de quem advogou em meu favor: Magnus Soderqvuist. Ele contatou me contatou sobre lançar um álbum solo. Ele foi responsável por todos eles. Ele escolheu as canções cuidadosamente e me guiou ao longo do processo. Ele é um ponto de luz no universo da música.

02 Alguma daquelas canções foi criada para algum de seus outros álbuns ou todas foram escritas especificamente para "Devotion"?

Mark Spiro: Eu nunca escrevi com um álbum específico em mente. Sou um compositor produtivo e executo essa função como uma máquina. Até hoje, depois de quase 40 anos, eu ainda amo o processo de compor e escrevo diariamente. "Devotion" é o resultado do que eu estava compondo na época. Eu estou constantemente expandindo essa prática à novos níveis. Lirica e musicalmente, quando o momento certo chega, na hora certa, traz um sentimento gratificante, dos maiores do mundo para mim. E tento muito não me deixar levar pelo momento. Eu apenas componho.

03 Falando sobre seus álbuns, "Devotion" foi um grande salto em direção ao AOR se comparado a seus trabalhos anteriores (apesar de que "Now Is Then, Then Is Now" é um belíssimo álbum de AOR). A mudança - musicalmente falando - aconteceu naturalmente ou foi algo planejado, algo que você quis experimentar?

Mark Spiro: Sinceramente, aconteceu porque eu melhorei as composições e as gravações. O caminho ainda é o mesmo que naquela época. Quando entro em meu estúdio pela manhã, eu sei que há uma canção naquela sala. Eu apenas tenho que descobrir onde ela está escondida... mas está lá.

04 Como funciona seu processo de composição? Você lembra qual a primeira canção escrita para "Devotion"?

Mark Spiro: Eu acho que foi "Devotion" que abriu o caminho. Assim como acontece com muitas formas de arte, sua arte reflete quem você é. Eu estava expandindo o espaço AOR de uma maneira que achava especial. Você pode ouvir isso claramente em algumas outras canções que gravei. Ouça o primeiro álbum do Giant... aquelas letras e melodias são bastante particulares. Não há nada parecido.

05 Você teve parceiros nas composições do álbum, como Michael Thompson, Michael Dan Ehmig e Dann Huff. Há muita diferença no seu processo de composição quando você trabalha com mais alguém? A dinâmica deve mudar, eu imagino...

Mark Spiro: Sim, há uma grande diferença. Acontece algo estranho quando você trabalha com um bom - e criativo - colaborador. Você certamente acabará escrevendo uma canção que nunca escreveria sozinho. Mesmo que você tenha escrito cada nota e cada palavra, a canção não seria a mesma se você a tivesse escrito sozinho. Colaboração é algo maravilhoso. E quando acontece, é como dois mais dois sendo igual a cinco.

06 Qual a parcela de colaboração de um co-autor que, efetivamente, acaba na versão final da canção ou, ao menos, que a altera?

Mark Spiro: Não importa. A energia de duas pessoas criando juntas não pode ser quantificada. Cada nota é tão valiosa quanto a próxima. Na maioria das minhas colaborações, naquela época, o foco era ter 'grandes guitarras'. Eles começavam a tocar, eu começava a cantar... boom! Já em relação as letras, eu quase sempre as crio sozinho, exceto por alguns pequenos detalhes.

07 Quantos takes são necessários até que você esteja satisfeito com uma canção? HÁ alguma em "Devotion" que foi trabalhada e retrabalhada?

Mark Spiro: A música em si não precisa de muitos takes, mas as letras sempre são bastante retrabalhadas. Ás vezes, estou caminhando pela rua e cantarolando em minha cabeça uma música e mudo sua letra que já tem uns 20 anos e penso: "Putz, isso teria sido tão melhor!"

08 Ainda falando sobre gravação, há material inédito das sessões de "Devotion"? Eu imagino que você deva ter escrito uma montanha e material...

Mark Spiro: Eu tenho uma pilha de canções guardadas em caixas de plástico que ainda não passei para o meu computador. São centenas. Algum dia, talvez minhas filhas as encontrem, as toquem e ouçam seu velho pai.

09 Exceto pelas guitarras (já vamos abordar essa questão) e algumas partes no processo de composição, você faz todo o trabalho sozinho. É mais confortável trabalhar dessa maneira ou você simplesmente se acostumou com isso?

Mark Spiro: Na verdade, é algo engraçado. Eu costumava ir ao estúdio e gravar minhas demos anos atrás. Eu dependia de outras pessoas para apertar botões, engenheiros, etc.... Então, finalmente, decidi aprender a fazer isso tudo sozinho. Resolvi que precisava comprar meus próprios brinquedos e brincar em meu próprio jardim. A mesma coisa aconteceu com os instrumentos. Eu nem sempre podia contar com Huff ou Pierce ou Michael Thompson, então comecei a fazer eu mesmo.

Mas me permita dizer enfaticamente: AQUELES CARAS SÃO MONSTROS... mas eu sou o criador e preciso criar e vou disfarçar se for preciso. Tenho certeza de que a música sofreria mas meu processo se baseia em algo um pouco diferente do que apenas uma grande parte das guitarras. É baseado em qual mensagem quero passar e na passagem de ideias e imagens.

Mark Spiro, circa 2017
10 Você mencionou Michael Thompson, Tim Pierce e Dann Huff, que estão entre os melhores session musicians neste lado do universo. Como você conseguiu recrutá-los para gravar em seus álbuns?

Mark Spiro: Eu tive uma sorte imensa. Produzindo outros artistas em Los Angeles eu podia chamar esses caras. Eu os convidei para escrever algumas canções comigo. Eles foram os músicos mais inspiradores com quem trabalhei. Desde que trabalhamos e escrevemos muitos, nos tornamos grandes amigos. Eu os convidava para virem à minha casa uma vez por semana. E também eu era um bom cliente deles. Meu publicista me deu uma grana e gastei toda ela em guitarras (risos).

11 Você trabalhou consistentemente com esses três guitarristas. Durante o processo de composição do material para o álbum, você pensou neles para canções específicas?

Mark Spiro: Não. Eu trabalhei com estava disponível no momento. Não importava. Huff foi ficando mais difícil de ter tempo com o passar dos anos. Tim Pierce tocava na minha banda, assim como Michael Thompson, durante um tempo. Aqueles caras estavam se dando muito bem como session musicians em Los Angeles e não precisavam se arriscar em uma banda ao vivo. O processo de composição com eles também era o mesmo... eles tocavam alguns acordes... eu começava a cantar.

12 Se você gravasse "Devotion" hoje, ele seria muito diferente?

Mark Spiro: Com absoluta certeza!!!

13 Para muitos entusiastas do AOR, "Devotion" é o seu melhor álbum. Como você o vê hoje, 20 anos depois de seu lançamento?

Mark Spiro: Eu amo cada parte da minha vida... as confusas, as difíceis e, especialmente, a parte musical. Eu tenho muito orgulho de "Devotion". Posso ouvir minha juventude nele. Eu posso sentir para onde estava querendo ir. Posso sentir a solidão do passado. Posso reconhecer a esperança pelo futuro em minha voz. Às vezes é embaraçoso porque tudo fica muito exposto, mas essa é a minha arte, meu amigo.

14 E quando comparado com sua discografia, onde fica "Devotion"?

Mark Spiro: Lá no alto, no departamento de orgulho. Ele ainda me faz sorrir. Mas... comparando com todos meus trabalhos... eu acabei de escrever 21 canções para um musical que, de longe, são as melhores que já escrevi.

15 Finalmente, quando teremos outro álbum seu voltado ao AOR?

Mark Spiro: Quando Magnus Sodqveirst me conseguir o orçamento!!!

Mark, foi um prazer falar contigo novamente. Muito obrigado pelo tempo e atenção dedicados ao meu pedido. Lhe desejo ainda mais sucesso e espero um novo álbum seu em breve. E pode me esperar em 2018 para mais uma entrevista como essa, já que "The Stuff Dreams Are Made Of" completará 20 anos...

Mark Spiro: Muito obrigado, Juliano. Às vezes eu esqueço como foi bom! Muito obrigado pelo carinho e por me lembrar que foi muito bom.

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