sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

RECOMENDAÇÃO DA SEMANA

No final de 1993, Paul Laine assumiu a ingrata tarefa de substituir Ted Poley como frontman do Danger Danger. Depois de um começo desastroso com "Dawn" (se não considerarmos o material regravado para "Cockroach" em 1994, e só lançado oficialmente em 2001), a banda se reencontrou com os bons sons lançando dois excelentes álbuns: "Four The Hard Way" (cujo review está aqui) e "The Return Of The Great Gildersleeves", trabalho que manteve a qualidade dos álbuns anteriores que Lane gravou com a banda, e que também marcou sua despedida dela. Mas o último registro do canadense no Danger Danger foi com classe e uma série de belas canções.

O álbum abre com "Grind", rocker descomunal que apresenta uma pesada linha de baixo acompanhada por guitarras cruas e calculadamente distribuídas, enquanto teclados discretos se fazem perceber no refrão empolgante. Um dos destaques do álbum, para ser ouvido no volume máximo e sem a menor moderação, assim como a debochada "When She's Good She's Good (When She's Bad She's Even Better)", rocker com andamento mais arrastado e melodia excelente, além de contar com um refrão explosivo, repleto de backing vocals certeiros. Outro destaque do álbum que, logicamente, necessita de volume máximo e nenhuma moderação. Já "Six Million Dollar Man" (que conta com o áudio da introdução da ótima série de tv dos anos 70) é um rocker mais sério, por assim dizer. O baixo retorna à linha de frente com propriedade, em um arranjo que pouco privilegia as guitarras. A melodia e o refrão me soam fracos em comparação com as canções anteriores. Enfim, ouça e tire suas próprias conclusões. Entretanto, qualidade é o que não falta à "She's Gone", mid-pacer arrepiante que apresenta baixo e bateria à frente, seguidos de perto por teclados ocasionais e guitarras precisas, criando a base onde Laine desfila seus vocais em uma de suas melhores interpretações. Grande canção e, sem dúvida, o grande destaque do álbum. Ouça múltiplas vezes, com as janelas abertas, volume máximo e tudo mais que se fizer necessário.

Danger Danger: Bruno Ravel, Paul Laine e Steve West
Na sequência chega "Dead, Drunk & Wasted", rocker cujo arranjo não é lá grande coisa, mas a melodia salva a cena toda. Guitarras onipresentes, bateria descontroladamente contida e um refrão explosivo garantem bons momentos aos amantes dos bons sons em mais esse destaque do álbum, mas infelizmente, o mesmo não se repete em "Dead Dog", rocker mais pesado e com arranjo arrastado, onde guitarras pesadas divideme spaço com teclados ocasionais, durante longos 06:41!!! Pessoalmente, essa canção não me agrada nenhum pouco, mas como as opiniões variam, ouça por si mesmo e, quem sabe, acabe com uma visão diferente da minha. Mas certamente concordaremos que "I Do" é bem mais bacana, onde as guitarras e teclados dividem espaço na medida certa nesse excelente rocker que tem um inegável apelo radio friendly e que conta com um refrão empolgante, o que garante a recomendação de volume máximo e janelas abertas, cabível apenas aos destaques do álbum. Seguimos com "I Do", mid-pacer tranquilo com arranjo quase que totalmente acústico, onde Paul Laine mostra mais um pouco de sua versatilidade como vocalista. Linda música, belíssima melodia e arranjo caprichado fazem dessa canção outro destaque do álbum. Recomendo múltiplas audições no volume máximo...

E na reta final do álbum temos "Cherry Cherry", rocker muito bacana com baixo e guitarras predominantes, e cujo arranjo é bastante simples, mas muito eficiente, assim como acontece em "Get In The Ring", mas aqui a sonoridade é levemente mais pesada, contudo, sem ser agressiva, da mesma forma que "Walk It Like Ya Talk It", rocker com andamento mais acelerado e guitarras envolventes, magistralmente acompanhadas pelos excelentes vocais de Laine, que te levam à um refrão carregado de energia e absolutamente arrepiante. Belíssima canção para encerrar o álbum!!!

Em resumo, caríssimas e caríssimos, considero "The Return Of The Great Gildersleeves" um ótimo álbum e acredito que o único trabalho de Paul Laine no Danger Danger que supere esse aqui seja o excelente "Four The Hard Way". Entretanto, os pontos altos desse álbum - e não são poucos - fazem o conjunto valer a pena, costurando um cenário melodic rock bastante convincente e repleto de qualidade. Se é possível que você não tenha esse álbum em sua coleção, providencie a aquisição. Acredite, vale a pena... 

DANGER DANGER - The Return Of The Great Gildersleeves
Released in 2000 via Victor Entertainment Inc. (Japanese Pressing)
Cat. #VICP-60965

Tracklist
01 Grind
02 When She's Good She's Good (When She's Bad She's Even Better)
03 Six Million Dollar Man
04 She's Gone
05 Dead, Drunk & Wasted
06 Dead Dog
07 I Do
08 My Secret
09 Cherry Cherry
10 Get In The Ring
11 Walk It Like Ya Talk It

Lineup
Paul Laine: vocals, guitars, keyboards
Bruno Ravel: bass, keyboards, guitars, vocals
Steve West: drums, percussion

Guest Musicians
Andy Timmons: guitars
Damien Graham: drums, percussion
Tony Bruno: guitars, guitar synthesizer, keyboards
Lance Quinn: keyboards
Scott Brown: backing vocals

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