segunda-feira, 26 de maio de 2014

ENTREVISTA COM TOMMY LaVERDI

Aqueles que militam há mais tempo no universo dos bons sons, certamente tem em sua coleção o excelente "Salute", primeiro - e magistral - álbum do 21 Guns, banda que contava com as ilustres presenças de Scott Gorham, Michael Sturgis, Leif Johansen e Tommy LaVerdi. Dono de um potente vocal, LaVerdi se destacou e deixou uma ótima impressão nos amantes dos bons sons, mas ele sumiu do cenário anos atrás e assim permaneceu até o surgimento do L.R.S., projeto em que figura com os veteranos Michael Shotton e Josh Ramos. Com o álbum "Down To The Core" recém lançado, entrei em contato com o simpatissíssimo LaVerdi e falamos sobre uma infinidade de coisas, especialmente o primeiro trabalho do L.R.S. e lhes trago o conteúdo do papo a seguir.

Enjoy...

Finalmente, depois de muito tempo, o álbum da L.R.S. foi lançado e vem recebendo ótimos comentários. Isso lhes traz o sentimento de um "trabalho bem feito"?

Tommy LaVerdi: Bem, hoje em dia sair da cama sem distender um músculo já um é trabalho bem feito, mas sim, absolutamente. Eu acho que o álbum é o resultado direto da atitude positiva que tivemos desde o início. Nós não precisávamos fazer o álbum, apenas queríamos fazê-lo.

Vocês estavam vivendo em países diferentes enquanto as canções eram compostas. Foi muito difícil - ou estranho - trabalhar dessa maneira?

Tommy LaVerdi: Esse é o futuro e, certamente, um sinal da época em que vivemos. Hoje em dia, é muito raro reunir todos no mesmo estúdio durante o processo de gravação. Nos anos 90, nós quase morávamos no estúdio por dois ou três meses. Eu lembro que gravei vocais vestido pijamas, cercado por caixas de pizza e garrafas de cerveja vazias, enquanto o engenheiro escovava seus dentes na sala de controle. Hoje, eu gravo as ideias em um telefone celular enquanto levo minha filha à escola na Califórnia, e depois mando o arquivo via e-mail para o produtor na Itália, que adiciona teclados à uma base rítmica gravada no Canadá.

O press release dizia que o processo de composição do álbum correu rapidamente. Foi isso mesmo?

Tommy LaVerdi: Normalmente, esse processo de composição nunca é rápido. É algo tão absurdo quanto o termo "sucesso do dia para a noite". Você trabalha e batalha por 20 anos para atingir aquele "sucesso instantâneo". É a mesma coisa com o processo de composição de um álbum. Você enche sua cabeça com ideias por anos, guarda-as em algum lugar de seu cérebro e as usa 15 anos depois. Uma das canções no álbum tem 20 anos, mais ou menos. Já "Almost Over You" foi escrita por mim e um grande amigo da Califórnia quanto tínhamos 19 anos e os vocais usados no álbum da L.R.S. são os originais gravados naquela época.

Levando em conta as bandas das quais vocês fizeram parte no passado, muitas pessoas esperavam que o álbum fosse mais previsível, com aquele AOR mais comercial. Mas no review que escrevi há algum tempo, afirmei que eram necessárias, pelo menos, duas audições para que o ouvinte se acostumasse com ele. Você acha que "Down To The Core" é um álbum de AOR que foge do óbvio?

Tommy LaVerdi: Eu diria que a imprevisibilidade é algo muito raro nesse meio, e por isso agradeço os elogios. Apesar de que, se buscando ser imprevisíveis, nós trocássemos as guitarras por didgeridoos, os fãs ficariam desapontados.

Uma das coisas que mais me chamaram a atenção no álbum é a qualidade de seus vocais. Como você cuida da sua voz?

Tommy LaVerdi: Esse estilo de vida rock'n roll quase me custou a carreira e por isso atribuo a crescente força de minha voz à um chatíssimo estilo de vida que não inclui álcool ou fumo, mas que exige constante atividade física, alimentação controlada e uma rotina de sono antes de cada show ou sessão de gravação.

A Frontiers Records teve papel decisivo na criação da L.R.S.. Como vocês foram contatados para fazer parte desse projeto?

Tommy LaVerdi: Fomos reunidos pelo chatérrimo reclamão Serafino Perugino, através de constantes e-mails e ligações intermináveis. É óbvio que o homem não conhece o significado da palavra NÃO quando o assunto é tornar realidade um de seus projetos.

E já que mencionei a L.R.S. como sendo um projeto, você poderia esclarecer se o trio é isso mesmo, ou uma banda, propriamente dita?

L.R.S.: Michael Shotton, Tommy LaVerdi e Josh Ramos
Tommy LaVerdi: No minuto em que começamos o primeiro ensaio em Milão, para mim, ficou claro que somos uma banda. E não só continuaremos a buscar mais oportunidades para nos apresentarmos ao vivo, como também já começamos a discutir material para nosso segundo álbum.

Com tantas ótimas canções no álbum, há alguma que seja sua favorita, Tommy?

Tommy LaVerdi: Bem, "Almost Over You" é uma delas, pro razões sentimentais. Mas também amo a vibe de "Universal Cry" e tenho uma certa predileção por "Down To The Core", que me parece apontar o caminho musical que a banda está tomando.

Finalmente, podemos esperar mais material da L.R.S. no futuro?

Tommy Laverdi: Absolutamente!

Tommy, foi um prazer falar contigo novamente. Lhe desejo ainda mais sucesso com a L.R.S. e espero ouvir mais material da banda em breve. As portas da AORWatchTower estão sempre abertas à você...

Tommy LaVerdi: Quem me conhece sabe o quanto valorizo a opinião do público por meu trabalho. Sou um ser criativo e os fãs validam minha existência com suas reações, positivas ou não, já que todas são construtivas para mim. Agradeço muito sua lealdade e apoio e prometo que continuarei lhes dando algo para aplaudir ou vaiar.

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