quarta-feira, 10 de setembro de 2014

ENTREVISTA EXCLUSIVA COM MICK DEVINE


No mês passado, resenhei aqui o fantástico álbum "7", trabalho que marcou - finalmente - a estréia do Seven no cenário AOR depois de quase 25 anos. Com uma sonoridade absolutamente 80's, talento de sobra e convidados de peso, a banda deixou sua marca em 2014 e desponta como uma das grandes surpresas do ano. Com tantos pontos positivos no currículo, entrei em contato com Mick Devine, vocalista do Seven, e ele concordou em conceder sua primeira entrevista para o Brasil, com exclusividade, à AORWatchTower.

Enjoy...

01 O Seven chamou a atenção de todos em 1989 quando "Inside Love" foi lançada. Em seguida, "Man With A Vision" surgiu e, de repente, a banda desapareceu. O que houve?

Mick Devine: Quando assinamos contrato com a Polydor no início da década de 90, gravamos dois singles produzidos por John Parr. Eles tinham uma aura rocker mas visavam o mercado pop. Éramos uma banda de melodic rock com a aparência de uma boy band e, por isso, fomos jogados no mercado pop. E acredito que isso tenha sido um problema para a Polydor, já que éramos a única banda 'pop' em seu catálogo, que continha gente como Little Angels, Thunder e The Almighty. Creio que se els tivessem uma ideia mais clara de quem éramos, as coisas teriam sido diferentes. Não acho que eles tenham nos levado à sério e , realmente, não nos encaixávamos. Lançamos nosso singles pela Polydor e fomos dispensados. Se eles tivessem nos colocado em outro caminho, as coisas certamente teriam sido diferentes e e teríamos lançado nosso álbum antes e, quem sabe, muitos outros.

02 O que vocês fizeram nesses anos todos?

Mick Devine: Bem, quando a banda acabou eu passei um tempo buscando uma carreira solo, sem sucesso, e passei alguns meses viajando pela Europa com um show promocional da Levi's Jeans. Era um show de rock ao vivo com gente muito boa como Cass Lewis (da Skank Anansie) e Elisha Blue (do Roachford). Viajamos durante alguns meses mas chegou um momento em que a vida real me alcançou e precisei procurar um emprego de verdade e ganhar a vida... e foi o que fiz! Eu sempre continuei a cantar, mas não de maneira profissional, e com meu filho mais velho, Josh (de 14 anos) tocando bateria eu pude manter o foco na música através dele. Ele atualmente toca bateria para a One Direction e está indo muito bem.

Keith, Simon e Oz começaram uma nova banda chamada Glory Days, mas infelizmente, não obteve sucesso e Keith e Simon voltaram para a África Do Sul. Pat e Oz continuaram morando no Reino Unido. 

Ao longo desses 20 anos todos se casaram, tiveram filhos e seguiram com suas vidas sem tentar reviver a época da banda, com exceção de Pat, que é o único integrante da banda que continuou a ganhar a vida com a música e tocou em vários álbuns. Seu projeto mais recente é uma banda chamada Diesel. Acabaram de lançar um álbum pela Escape Music chamado "Into The Fire", muito bom e que merece ser ouvido!

03 Falando em Pat, ele foi um dos grandes responsáveis pela reunião do Seven, certo?

Mick Devine: Sim, Pat foi que, nos reuniu. Ele estava gravando um álbum com o Diesel e conheceu Khalil Turk - da Escape Music - que descobriu que Pat era ex-integrante do Seven. Turk revelou que era um grande fã da banda e que amava nossa música. Khalil sugeriu que, se todos concordássemos, ele gostaria de reunir a banda para que gravássemos um álbum. Pat entrou em contato com cada um de nós e amamos a ideia e aproveitamos a oportunidade, apesar de estarmos em diferentes partes do mundo.

04 Pois é, como os integrantes espalhados entre o Reino Unido e a África Do Sul, vocês chegaram a se encontrar em estúdio ou todo o processo foi feito via internet?

Mick Devine: Por causa das dificuldades relacionadas a logística de estarmos em continentes diferentes, toda a gravação foi feita remotamente! Khalil nos colocou em contato com Lars Chriss, um fantástico produtor e guitarrista, e ele produziu as trilhas básicas e nos enviou por e-mail as partes que cada um deveria gravar. Tenho muita sorte de ter um estúdio em casa e, por isso, gravei todos os meus vocais lá. E também incluí os vocais de meus filhos Josh e Ben em "Inside Love".

É incrível como a tecnologia evoluiu desde que começamos. A ideia de poder gravar um álbum remotamente era inviável nos anos 90, mas foi assim que fizemos hoje em dia.

05 Não há dúvidas de que "7" é um dos melhores álbuns de AOR do ano, trazendo uma aura 80's mesclada com a sonoridade mais contemporânea. Essa linha melódica foi traçada desde o início? Não havia o temor de que o álbum pudesse soar datado?

Mick Devine: Sim, sempre houve esse risco quando gravamos material escrito há tanto tempo. Lars Chriss foi o responsável por atualizar o som. Ele conseguiu manter a essência da sonoridade do Seven dos anos 90 e agregou uma aura moderna e acredito que o resultado final fale por si.

06 O tracklist contém duas canções - "Inside Love" e "Strangers" - que já haviam sido lançadas anteriormente. Porque elas foram escolhidas para figurar no álbum?

Mick Devine: De todas as canções que havíamos lançado (e não haviam muitas), essas duas se destacavam e Lars achou que podia trabalhar nelas e atualizá-las. Uma canção que ficou de fora foi "Man With A Vision", que foi escrita em parceria com John Parr. Como John já havia gravado sua própria versão há alguns anos, achamos que ela já tinha cumprido seu papel.

07 Vamos aproveitar essa ocasião para esclarecer uma coisa: existe um boato de que o Seven havia gravado um álbum no final dos anos 80 e que esse material teria sido engavetado. Isso nunca aconteceu, correto? A banda foi contratada para gravar, apenas, os dois singles que lançou...

Mick Devine: Nós nunca havíamos gravado um álbum até agora! Tínhamos muitas demos prontas para serem gravadas e masterizadas, mas a Polydor não nos deu a chance e decidiu não seguir em frente conosco, já que o mercado estava mudando e a dance music estava se tornando tendência e, com isso, não haveria espaço para nós.

08 Entretanto, a banda tinha material suficiente para um álbum. O que aconteceu com aquele material? Alguma daquelas canções foi usada em "7"?

Mick Devine: O álbum traz novas versões das canções que escrevemos no início da carreira. É um tipo de tributo ao álbum que deveria ter sido lançado nos anos 90.

09 O álbum tem um time fantástico de convidados, como Mike Slamer, Didge Digital, Mark Mangold, Fredrik Bergh e Tommy Denander, entre outros. Como eles se envolveram nas gravações?

Mick Devine: Devido a maneira como o álbum foi gravado, tivemos a sorte de contar com alguns dos melhores músicos do mundo. Foi a Escape Music e Lars Chriss quem contatou todos eles e acredito que você concorda que o resultado foi ampla e vastamente enriquecido pelas contribuições de cada um deles. Nos sentimos privilegiados por tê-los em nosso projeto.

10 Finalmente, haverão shows para divulgar o álbum?

Mick Devine: Não há nenhum show planejado nesse momento, principalmente por causa da logística relacionada aos locais onde vivemos, mas tenho certeza de que haverão shows no futuro.

11 Podemos afirmar, categoricamente, que o Seven voltou para ficar?

Mick Devine: A resposta ao álbum tem sido fantástica e posso afirmar que vamos compor e gravar um segundo álbum. Então, posso dizer que estamos aqui para ficar!

Mick, lhe agradeço demais pela oportunidade de falar com você. Sou um fã da banda desde 1989 e ter, finalmente, um álbum do Seven em minha coleção é algo maravilhoso. Lhes desejo todo o sucesso e espero novidades em breve. As portas da AORWatchTower estão abertas à vocês...

Mick Devine: Obrigado, Juliano. Foram necessários quase 20 anos para que o Seven finalmente lançasse seu álbum. Estamos muito satisfeitos com o resultado e com a mistura de rockers com algumas baladas para resultar, no que acreditamos ser, um excelente álbum. Nunca tivemos o privilégio de lançar esse material nos anos 90 e conseguir fazer isso agora é inacreditável.

Portanto, comprem o álbum!, aumentem o volume e aproveitem! Quem sabe, nos veremos no futuro e aguardem mais lançamentos em breve.

Rock on!!!

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