quarta-feira, 30 de outubro de 2013

BILLY GREER FALA SOBRE A SEVENTH KEY, COM EXCLUSIVIDADE PARA A AORWATCHTOWER

Veterano no universo dos bons sons, o baixista e vocalista Billy Greer tem em seu currículo participações em bandas como Streets, Kansas e Seventh Key, sendo que a última se prepara para lançar "I Will Survive" no dia 01 de Novembro, via Frontiers Records.

E foi sobre esse trabalho - o terceiro de estúdio - que falei com Mr. Greer em um papo tranquilo e até revelador sobre não apenas o trabalho da Seventh Key, mas também sobre a maneira como o projeto funciona e sobre o que podemos esperar da dupla Greer/Slamer no futuro.

Enjoy...

01 Vamos começar com uma pergunta para a qual já ouvi as mais variadas respostas: como a Seventh Key foi formada?

Billy Greer: Começou com meu sentimento de frustração e a vontade de poder mostrar meu talento como vocalista e compositor. Por muitos anos me apresentei como backing vocalist atrás da excelente voz de Steve Walsh. Eu estava gravando o baixo para a o primeiro álbum da banda The Sign quando decidi que faria meu próprio projeto solo. E foi através do pessoal da banda que fui apresentado à Serafino Perugino, o presidente da Frontiers Records e assinei um contrato com ele. A gravadora sugeriu que eu tivesse uma banda ao invés de ser apenas 'um projeto solo do Billy Greer' e então requisitei os serviços de meu velho amigo Mike Slamer. Em seguida chamei meu amigo e tecladista David Manion e depois disso as coisas aconteceram naturalmente.

02 A Seventh Key precisou de oito anos para gravar um novo álbum. Porque a demora?

Billy Greer: Eu vejo as datas em alguns dos arquivos de áudio e elas remetem à Novembro de 2008. Honestamente, Mike e eu vivemos em lados opostos nos Estados Unidos. Ele vive em Los Angeles e eu vico em Savannah, no estado da Geórgia, que fica na costa leste. E para que pudéssemos compor e gravar juntos eu tinha que ir até Mike. E eu só podia viajar quando o calendário da tour do Kansas me permitia. A maneira como o Kansas faz tours hoje em dia envolve um ano na estrada. Ficamos muito ocupados no verão, primavera e outono e o calendário fica mais tranquilo no inverno. Eu precisava aproveitar essa baixa frequência nas datas para viajar cerca de 4.000 quilômetros até Los Angeles para trabalhar no álbum. Eu viajei cerca de 15 vezes até L.A. antes que pudesse terminar o trabalho no álbum em meu estúdio em Savannah. E isso incluiu regravar todos os vocais, incluindo backing vocals. Ainda, enquanto gravávamos o álbum, Mike estava trabalhando em outros projetos, gravando e mixando material. Enquanto isso, eu e meus três amigos do Kansas lançamos um CD chamado "Native Window". Muita gente esperava que Steve estivesse envolvido nesse projeto. Então, houveram muitas distrações que tornaram o processo todo mais demorado do que o normal.

03 Terry Brock não integra mais a banda, e isso veio como uma grande surpresa para muita gente. O que houve?

Billy Greer: Terry acabou participando do CD. Ele cantou muitos backing vocals. Ainda, tenho certeza de que se fizermos uma tour, Terry muito provavelmente fará parte da banda. Terry tem estado muito ocupado fazendo shows com bandas diferentes e foi isso que o impediu de participar mais.

04 Como você disse Billy, Terry gravou os backing vocals para o álbum, mas ele é listado no álbum apenas como convidado. Como foi para vocês tê-lo nessa posição?

Billy Greer: A menos que estivéssemos fazendo um show ou como quando gravamos o DVD ao vivo, sempre foi dessa maneira. Mas eu ainda o considero um integrante da banda.

05 Como funciona o processo de composição da Seventh Key? Quem faz o que?

Billy Greer: A verdade é que existem diferentes processos. Algumas das faixas começaram a ser gravadas em Novembro de 2008, que foi quando demos início às gravações do CD. Quando finalmente nos encontramos pessoalmente no estúdio, apresentamos diferentes idéias um ao outro. Mike está atualizando constantemente sua biblioteca instrumental, a qual ele apresenta para diferentes mídias visando uso em TV, rádio, trilhas sonoras, etc... . Eu costumo ouvir essas ideias instrumentais e seleciono algumas para adicionar melodia, letras e as transformo em canções da Seventh Key.

Outro método funciona assim: Mike e eu nos encontramos no estúdio, podemos começar a trabalhar com um loop de bateria e outro de sintetizador e começamos uma jam. Algumas canções surgiram desse tipo de processo. O ponto principal é que cada canção é um processo em contante mudança, que é refinado e alterado o tempo todo. Depois de termos o que consideramos um bom verso e o padrão para o refrão, gravamos um 'rough mix' e então eu começo a adicionar os vocais e improvisar a melodia cantando o que me vem à cabeça naquele momento.

O genial Mike Slamer
Curiosamente, de vez em quando uma dessa frases soltas acaba evocando o tema sobre o qual a canção será escrita. Depois de nos convencermos de que temos uma melodia decente, começamos a trabalhar nas bridges, um padrão de acordes diferentes para o solo e assim por diante, até que concordemos que temos um bom 'rough mix' da canção. 

Depois disso, levo o material para casa e começo a trabalhar nas letras. Volto ao estúdio do Mike, apresento a idéia e Mike dá sua opinião, tirando palavras, mudando melodias, sugerindo novos trechos. Novamente, a mudança e refinamento constantes que citei há pouco. Algumas canções são mudadas durante o processo de mixagem quando algo incomoda Mike. Pode ser uma simples mudança de nota ou uma parte da harmonia que atrapalha a canção. E a canção só fica pronta quando está pronta! A abertura em piano para "What Love's Supposed To Be" estava jogada há 25 anos. Em "Sea Of Dreams", a ideia básica estava escrita há anos. Posso dizer que Mike escreve a maior parte da música e eu me encarrego das letras, mas ambos colaboramos em tudo um com o outro.

06 Todos os álbuns da Seventh Key tem um toque de prog rock, mas ouvindo "I Will Survive" me parece que essa qualidade ganhou mais ênfase e a faixa título é um bom exemplo disso. Você acha que essa sonoridade progressiva pode se tornar mais recorrente nos próximos álbuns da banda?

Billy Greer: Mike e eu sabemos que o mercado para o qual escrevemos é composto basicamente de apreciadores de melodic rock. Entretanto, eu tenho tocado em uma banda de rock progressivo, o Kansas, por mais de trinta anos. Então, o elemento progressivo certamente me influencia na maneira como escrevo as músicas. Não se esqueça de que a banda antiga do Mike, a City Boy, era praticamente uma banda progressiva. Ainda estamos buscando a dose certa de melodic rock e power ballads. Equilíbrio é o segredo.

07 A sonoridade geral do novo álbum me parece um pouco diferente quando comparada com os trabalhos anteriores. Em sua opinião, a sonoridade está mesmo diferente ou apenas evoluiu?

Billy Greer: Se você se refere ao elemento sonoro, está diferente sim. Acho que isso se deve ao fato de usarmos equipamentos diferentes daqueles que usamos quando gravamos os ostros álbuns. Mixers e processadores completamente diferentes fazem uma tremenda diferença no som. Ainda, no que tange os vocais, estou mais velho e minha voz apresenta qualidade diferentes do que anteriormente.

Mas se você se refere ao estilo, acho que é apenas a maneira como Mike e eu nos aprimoramos como músicos. Seja como for, eu não acho que tenha sido ruim.

Arte do novo álbum da Seventh Key
08 Canções como "I See You There", "It's Just A State Of Mind", "When Love Stest You Free" e "The Only One" me chamaram a  atenção logo na primeira audição. Quais são as suas canções preferidas?

Billy Greer: Minhas canções favoritas são "I Will Survive", "I See You There" e "I Want It All".

09 Em 2005, vocês gravaram o excelente "Live In Atlanta" e chegaram a tocar na Alemanha como parte da United Forces Of  Rock no mesmo ano. Há planos para a Seventh Key fazer shows para divulgar o novo álbum?

Billy Greer: Nunca diga nunca! Já tenho alguns pedidos de pessoas da Europa para a Seventh Key tocar lá. Temos um bom arsenal da material, mas o maior problema é que, enquanto eu estiver comprometido com o Kansas, não há como prometer um show da Seventh Key. A menos que eu decida deixar o Kansas ou que a banda decida encerrar a carreira. A única maneira que eu vejo de fazer uma tour com a Seventh Key seria nos meses do inverno, quando o Kansas tem menos datas agendadas. Mas eu repito, nunca diga nunca!

10 E quais as novidades sobre o Kansas?

Billy Greer: Esse ano celebramos os 40 anos da banda. A Sony está gravando e filmando depoimentos dos integrantes para um documentário a ser lançado no primeiro semestre de 2014. E eu estou lhe respondendo do meu quarto de hotel na Filadélfia, onde me apresento com o Kansas em uma hora.

Muito bem Billy, não vou mais tomar seu tempo (risos). Foi um grande prazer falar contigo. Lhe desejo tdo o sucesso possível e espero vê-lo ao vivo no Brasil. As portas da AORWatchTower estão sempre abertas à você...

Billy Greer: Em primeiro lugar, obrigado pela entrevista, Juliano. Às pessoas que estão lendo essa entrevista, agradeço o interesse. Aos fãs da Seventh Key e à quem ouve nossa música, agradeço do fundo do meu coração por sua atenção e apoio. Espero levar a Seventh Key até vocês em um futuro próximo. Muito obrigado à todos vocês

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