sexta-feira, 30 de maio de 2014

RECOMENDAÇÃO DA SEMANA

Durante o período em que o grunge assolou o planeta, o AOR se refugiou no território europeu e, graças aos deuses, sobreviveu. E muita coisa bacana foi lançada, mas infelizmente, muitos álbuns tiveram tiragem limitada ou muito pequena, e o Captive Heart é um exemplo disso. Os norte-americanos se lançaram no mercado com o excelente "Home Of The Brave", álbum onde praticavam um radio friendly AOR de muita qualidade e que tinha algumas canções escritas em parceria com um tal Jim Peterik. Contando com ótimos músicos, um excelente vocalista e canções cativantes, era impossível o trabalho do Captive Heart não chamar a atenção dos amantes dos bons sons.

O álbum inicia de maneira inusitada com "Outlaw", um mid-pacer que apresenta introdução acústica que prepara o terreno para um arranjo mais pesado, onde o baixo tem destaque. As guitarras e bateria seguem uma linha bastante tradicional, característica do arranjo que, vale dizer, é bastante eficiente. As b-sections crescentes são perfeitas e culminam em um refrão explosivo, repleto de backing vocals bem distribuídos. Sem dúvida, um dos melhores momentos do álbum, assim como "It's Too Late", radio friendly AOR contagiante que mostra a verdadeira natureza da banda. Guitarras na linha frente são acompanhadas de perto por teclados e um baixo intermitente, quase onipresente. O arranjo é relativamente simples, mas prende a atenção do ouvinte com seu bom gosto, que também está presente no refrão grudento, onde backing vocals e teclados disputam sua atenção. Mais um grande momento do álbum que ainda traz, em seguida, a poderosa "Home Of The Brave", onde as guitarras e baixo surgem quase que em uníssono. Gosto bastante do andamento dessa canção, mas acho que os teclados ao longo dos versos poderiam ter sido retirados, o que daria mais destaque às guitarras. O refrão é bacana, mas não apresenta o mesmo punch das canções anteriores, mas ainda assim não é uma canção para passar batida. Ouça e tire suas próprias conclusões. Em seguida temos "Shattered Dreams", balada que segue aquela linha tradicionalíssima que mescla a introdução acústica, levemente acompanhada por teclados e que, aos poucos, vai crescendo até que o restante da banda se apresente. Apesar de flutuar no lugar comum e deixar aquela sensação de que você já ouviu essa mesma canção antes, ela tem um refrão bacana (enriquecido por bons backing vocals) e um solo de guitarra simples, mas bastante eficiente. 

Na sequência temos "Over You - Over Me", um excelente radio friendly AOR com arranjo simples, construído sob uma base sólida de guitarra e baixo, eventualmente pontuada por teclados quase inaudíveis. Gosto demais do andamento clássico e da métrica precisa dos versos, assim como das b-sections e do surpreendente refrão semi acústico. Uma das melhores canções do álbum e que merece múltiplas audições no volume máximo. Outra canção que merece sua atenção é "Helpless", rocker com mais peso com seu baixo pulsante em primeiro plano e guitarras com intermissões precisas. O arranjo é comum, mas a banda executa cada elemento com perfeição e esse fator prevalece. As b-sections e o refrão são arrasadores, revelando uma carga violenta de backing vocals muito bem colocados, como sempre. Recomendo audições múltiplas e cuidadosas dessa que, certamente, é uma das canções mais bacanas do álbum. Já "Just One Touch" é uma balada menos evidente que a anterior, mas nada revolucionária. Apesar disso, gosto muito do arranjo, métrica e andamento dessa canção. Gosto muito da colocação das guitarras e dos backing vocals, sempre bem postados nos versos e também no refrão, e o conjunto garante um bom momento sonoro dentro do tracklist. E quem retoma o caminho AOR do álbum é a demolidora "Can't Stop", dose cavalar de bons sons que traz guitarras acústicas e elétricas dentro de uma arranjo cuidadosamente agressivo, onde teclados desfilam sem moderação (mas também sem exagero). Me agrada demais o andamento dessa canção, assim como as b-sections e o refrão, ambos explosivos e com backing vocals na medida certa. Esse é outro grande momento do álbum e que merece sua total e irrestrita atenção.

Captive Heart, circa 1996
Na reta final temos "Heartache", que é uma das melhor baladas do álbum sob qualquer aspecto em comparação com as anteriores. O arranjo é mais intimista e coloca baixo e guitarra em igualdade ao longo dos versos que são, também, pontuados por camadas discretas de teclados. A métrica é perfeita, da mesma maneira que as suaves b-sections e o refrão matador. Uma das melhores canções do álbum, sem a menor sombra de dúvida. Ouça-a sem moderação. E o rocker "Ride Of Your Life" se apresenta trazendo as guitarras para a linha de frente e deixando os teclados de lado, o que acaba conferindo mais peso à canção que conta com um refrão bacana, mas o conjunto não me anima muito. Enfim, ouçam e tirem suas conclusões a respeito enquanto se preparam para a belíssima "Til The End", balada com estrutura acústica e um arranjo mais que intimista onde teclados surgem pontualmente junto com o baixo pesado. Gosto demais dos breve backing vocals distribuídos nos versos e, especialmente no refrão, capaz de causar arrepios na mais gélida das criaturas. Me atrevo a dizer que essa é a melhor canção do álbum e, por isso, recomendo múltiplas e irresponsáveis audições. E "Time Out" resgata a aura AOR para encerrar o álbum de maneira mais animada, com guitarras e teclados na linha de frente. Com arranjo mais tradicional, essa canção apresenta b-sections crescentes e um refrão marcante e onde os backing vocals se revelam de maneira mais evidente. Canção bem bacana e que merecia integrar o tracklist do álbum sem ser bonus track.

Em suma, pequeninas e pequeninos, o único álbum do Captive Heart é um verdadeiro desbunde para os amantes dos bons sons por todos os motivos elencados acima. Não bastasse tudo o que foi dito, o vocalista Rick Tratar entrega performances excelentes, sempre acompanhado pela banda, precisa e muito eficiente. Além do fator humano, não posso deixar de mencionar o conjunto de canções, onde mesmo as mais simples se destacam devido a sua qualidade. Se você encontrar esse álbum por aí, aceite meu conselho e compre-o na hora. A satisfação é mais que garantida e sua coleção agradece...

CAPTIVE HEART - Home Of The Brave
Released in 1996 via Bareknuckle (Japanese Pressing)
Cat. #AVCB-66006

Tracklist
01 Outlaw
02 It's Too Late
03 Home Of The Brave
04 Shattered Dreams
05 Over You - Over Me
06 Helpless
07 Just One Touch
08 Can't Stop
09 Heartache
10 Ride Of Your Life
11 Til The End
12 Time Out (Bonus Track)


Lineup
Rick Tratar: vocals, backing vocals
Chuck Kawal: guitars, bass, backing vocals, backing vocals
Tim McGovern: guitars
Scott Bahry: keyboards, drums, percussion, organ, backing vocals
Guy Dominick: bass, backing vocals
Steve Moss: drums, backing vocals


Guest Musicians
Paul Balsamello: bass

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