quinta-feira, 26 de novembro de 2015

ENTREVISTA EXCLUSIVA COM BILL CHAMPLIN

Nome reconhecido e respeitado no universo westcoast, o veterano Bill Champlin vem criando bons sons desde a década de 60, tendo construído uma sólida carreira solo, além de ter participado em inúmeros álbuns e, logicamente, ter integrado o Chicago por quase trinta anos.

E depois de muito tempo sem ter um ícone do westcoast entrevistado aqui na casa, contatei Mr. Champlin que, muito gentilmente, concordou em trocar umas ideias com tio Juba e falar sobre alguns pontos de sua bela carreira. E se você ainda não é familiarizado com os bons sons de Mr. Champlin, fica a dica.

Enjoy...

01 Sua primeira banda foi o Opposite Six ( formada em 1961), e seis anos mais tarde você formou o Sons Of Champlin, que lançou seis álbuns até 1977. Quão diferente eram as bandas, musicalmente falando?

Bill Champlin: The Sons lançaram sete álbuns entre "Loosen Up Naturally" e "Loving Is Why", pelo menos em grandes gravadoras. Lançamos outros nos anos 90, "Hip Lil' Dreams" e "Secret". O Opposite Six era uma banda focada em R&B, basicamente. Tocávamos material original e cover. Já o The Sons abrangia uma variedade de estilos e ainda continuamos assim, mas groove ainda é essencial para nossa música.

02 Quando The Sons Of Champlin terminou, você mudou-se para Los Angeles. Quais suas memórias sobre aquele período de recomeço?

Bill Champlin: Eu estava viajando de Los Angeles para San Francisco já há alguns anos fazendo sessões em estúdio enquanto tocava com o The Sons em alguns clubes, mas sem um contrato com nenhuma gravadora. Então, acabei me mudando para Los Angeles porque o tipo de música com o qual estava me envolvendo não tinha espaço em San Francisco. Aquilo estava em Los Angeles. Eu fui indicado para um Grammy como compositor, e eventualmente venci um ou dois deles, Pouco tempo depois de estar em Los Angeles, eu estava trabalhando em meu álbum solo e fazendo backing vocals o tempo todo. Foi uma ótima mudança para mim.

03 Falando em álbum solo e prêmios, seu primeiro álbum foi lançado em 1978 e apenas um ano depois venceu o Grammy como co-autor da clássica "After The Love Is Gone". Esses dois fatos tiveram grande impacto na sua carreira?

Bill Champlin: Na verdade não. Fiz mais sessões gravando vocais e também uma tour solo. Mas passei a compor mais. O álbum solo não fez sucesso e tudo se resumiu a mais sessões de estúdio por um tempo.

04 Até 1985, você já tinha trabalhado com alguns dos maiores nomes do cenário musical na época, incluindo Patti LaBelle, Elton John, Boz Scaggs, George Benson, Amy Grant e Kenny Rogers, entre muitos outros. Você sentia-se a vontade trabalhando apenas como músicos de estúdio?

Bill Champlin: Meu sonho sempre foi igual ao de qualquer cantor/compositor, que é lançar meus próprios trabalhos e fazer sucesso. Mas as coisas não funcionaram exatamente desse jeito. Eu estava feliz em ter uma carreira como vocalista, mas isso consistia em gravar muitos backing vocals e, ocasionalmente, um lead vocal em álbuns de outras pessoas. Eu adoraria ver aquela quantidade de trabalho hoje em dia, mas a indústria foi jogada no lixo. Essa situação só não está ruim se você for um dos poucos que ainda tem músicas tocando no rádio e fazendo shows o tempo todo. Isto posto, eu ainda enfrento o microfone regularmente em minha casa e estou compondo e produzindo material o tempo todo. Entretanto, aqueles dias nas sessões de gravações eram divertidos.

05 Há uma canção que você gravou com Patti LaBelle chamada "The Last Unbroken Heart" e que foi incluída no segundo volume da trilha sonora do seriado "Miami Vice". A canção foi produzida e mixada por Jay Graydon e escrita por Joseph Williams, Jay Gruska e Paul Gordon. Pessoalmente, acho aquela canção uma de suas melhores performances e, até onde eu sei, foi escrita especialmente para aquele programa de tv...

Bill Champlin: Na verdade, eu conheci Patti três anos antes de gravarmos aquele dueto. Jay - meu grande amigo - me apresentou a canção e incluiu Patti em seguida. "The Last Unbroken Heart" é uma canção muito bacana e todos nós gostamos dela imediatamente. O problema é que ela foi feita para o "Miami Vice" quando o programa já estava em declínio. Eu acho que, na época, o estúdio já havia mudado seu horário para o fim de noite, perdendo uma guerra com "Dallas". Coisas da tv...

Bill Champlin com o Chicago, circa 1989
06 Vamos voltar um pouco no tempo, até o momento em que você juntou-se ao Chicago. Como o convite foi feito? E qual foi a sensação de ter sido convidado para juntar-se à uma banda renomada como aquela?

Bill Champlin: O Chicago estava em queda quando me juntei à banda (em 1981) e o álbum "16" começou a mudar isso. Danny Seraphine me ligou e perguntou se eu aceitaria me tornar um membro da banda. Eu disse que não seria um membro ocasional, e ele me disse que oferta era para ser um membro do Chicago em tempo integral. Aquele convite mudou a minha vida. O meu segundo álbum solo tinha acabado de ser lançado e eu vi que a Elektra Records estava se reorganizando depois que Joe Smith (então presidente da gravadora) deixou sua posição e parecia que meu álbum teria pouca atenção por parte deles. Eu estava certo sobre isso. A oferta do Chicago chegou em uma época em que eu estava cansado de fazer backing vocals para outros artistas e aceitei a oportunidade, pensando em ver como as coisas ficariam. Danny me perguntou se eu achava que David Foster seria uma boa escolha para produzir a banda, e eu fui enfático: 'SIM'!

07 Você ficou com o Chicago até 2009, participando de alguns dos álbuns mais bem sucedidos e queridos pelos fãs. Como você se sente, olhando para trás e vendo tudo o que conquistou com a banda?

Bill Champlin: Eu escrevi algumas canções com a banda, mas nenhuma delas virou single. Os grandes sucessos que eu interpretei foram escritos principalmente por Diane Warren, entre outros compositores. Os produtores queriam tentar um approach diferente no final dos anos 80 e começo dos 90. Mas eu não me importava, afinal de contas, 'um hit é um hit'. "Look Away" foi muito bem nas paradas e me estabeleceu como lead singer, mesmo que por pouco tempo. A banda estava sempre procurando tenores para a posição. Eu me sentia nadando contra a maré cada vez que cantava uma canção.

08 Em 1990 você retomou sua carreira solo e, desde então, lançou seis álbuns até 2008. Como você avalia sua carreira, como artista solo? E quais os prós e contras de investir em uma carreira solo ao invés de permanecer com uma banda?

Bill Champlin: Se você está considerando apenas o dinheiro, uma banda como o Chicago será sempre a melhor escolha. Se você está buscando aquela sensação de conquista, no meu caso a carreira solo foi o que eu precisava para me manter, ao menos, um pouco com os pés no chão.

09 Seus dois trabalhos mais recentes foram com Joseph Williams e Peter Friestedt, lançados em 2013 e 2015. Como surgiu a ideia desse trabalho em conjunto?

Bill Champlin, Peter Friestedt e Joseph Williams, em 2013
Bill Champlin: Há alguns anos, Peter me telefonou 'do nada' e perguntou se eu poderia escrever algumas letras e melodias para uma canção em que ele estava trabalhando e, mais tarde, eu o apresentei ao Joseph, com quem eu estava gravando naquela época. E sempre que Peter gravava um álbum, eu participava uma ou duas canções e, de tempos em tempos, trabalhávamos juntos novamente. Há alguns anos Peter sugeriu que nós três criássemos um projeto conjunto. Pareceu uma boa ideia e começamos a trabalhar no estúdio que tenho em minha garagem, gravando vocais para algumas canções. Joseph e eu adicionamos coisas diferentes para expandir o álbum um pouco mais. Eu trouxe a canção 'River Of Fear', que Joseph e eu gravamos acapella, e que foi escrita por mim e meu filho, Will. Também usamos uma outra canção escrita por Will e Marc Beeson , chamada 'Two Hearts At War', e ainda incluímos uma terceira canção que escrevi com Randy Goodrum chamada 'Evermore', que é uma balada muito bacana. O álbum acaba de ser lançado e tem recebido boas críticas e esperamos fazer uma tour pela Europa e Escandinávia em Abril. O álbum chama-se 'CWF'.

10 A indústria da música tem mudado drasticamente ao longo dos últimos anos, com centenas de artistas descartáveis lançando álbuns igualmente descartáveis, com música de baixa qualidade dominando as paradas mundo afora. Na sua opinião, o que podemos esperar em um futuro próximo?

Bill Champlin: As pessoas vem tentando descobrir o que vem por aí mas você pode apostar que, ao menos por um tempo, o dinheiro envolvido irá para as pessoas que não são os músicos que geraram a atividade, para começo de conversa. Eu ouvi que o formato CD será descontinuado em breve e isso deixa a música disponível apenas para aqueles que gostam de downloads ou streaming. As companhias que fornecem serviços de streaming estão recebendo muito mais dinheiro que os compositores, intérpretes e músicos, e isso não pode continuar por muito tempo, ou corremos o sério risco de ficarmos sem as pessoas que fazem esses trabalhos. Tudo se resume ao 'The Voice'. Acredite, o Guitar Center vende muito mais microfones do que guitarras hoje em dia. Eu não sei aonde isso tudo vai parar, mas sei que quem está gravando álbuns faz isso pelo amor à música, porque comercialmente falando, não há mais muito espaço.

Bill, foi um privilégio poder conversar contigo. Lhe desejo todo o sucesso em seus projetos e espero ouvir mais material seu em breve. As portas da AORWatchTower estão sempre abertas a você...

Bill Champlin: Muito obrigado pelo interesse, Juliano. A indústria da música está tão mal que esquecemos que há pessoas interessadas naquilo que anima os músicos. Eu gostaria que esse interesse fosse refletido em vendas maiores mas acho que se você está interessado em boa música, precisa procurar bastante, mas ela existe e está aí para ser ouvida. Bons artistas estão aí, você só precisa procurar por eles. Um grande abraço

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