sexta-feira, 18 de maio de 2018

RECOMENDAÇÃO DA SEMANA

Nem só de tango vive a cena musical argentina, meus caros. E uma prova inegável disso é representada na figura do talentoso Charlie Giardina, baixista, vocalista e compositor que em 2011 debutou com a Flamedown, bela banda que lançou um ótimo trabalho de estréia e que, até o momento, permanece único. Giardina, entretanto, é nome bastante conhecido no cenário musical hermano, tendo participado de inúmeras tours com gente do calibre de Eric Martin e Bruce Kulick, entre outros tantos. E depois de muito prestar bons serviços a terceiros, finalmente ele apresenta seu primeiro trabalho solo, batizado "Dreamland", e que álbum é esse!!! Uma breve olhada na lista de músicos que acompanhou Giardina dá uma breve ideia da qualidade do material que o álbum traz, uma série de canções cuidadosamente construídas e com clara influência do Toto (especificamente da década de 90), mas não apenas. O resultado de tanta coisa boa reunida está muito acima da média.

O álbum abre com "Back To Life", uma dose cavalar de AOR com guitarras e baixo em primeiro plano, cuja base é pontuada por teclados ocasionais. Com backing vocals bem distribuídos e refrão explosivo, essa canção mostra a direção musical do álbum de maneira grandiosa, sendo merecedora de múltiplas audições, sem nenhuma moderação. Já "Don't Give Up The Hope" é uma balada envolvente, com base acústica de guitarra e piano que confere uma aura intimista e com sonoridade que me remete ao excelente "Tambu", álbum lançado pelo Toto em 1995. Uma vez mais, a qualidade transborda em outro grande momento do álbum, desde já merecedor de múltiplas e cuidadosas audições. E mantendo a sonoridade referente ao Toto em evidência temos "Feels Like Rain", um mid-pacer espetacular e que bem poderia ter figurado no tracklist de "Mindfields", um dos melhores trabalhos do Toto, lançado em 1999. A melodia elegante, as guitarras e piano bem colocados, o andamento bem cadenciado e o refrão marcante justificam as múltiplas audições de mais um grande momento do álbum. Essas três canções devem ser suficientes para convencer qualquer amante dos bons sons, mas ainda há mais.

"Reaching For The Sky" é outro mid-pacer espetacular, com guitarras que trafegam elegantemente pela base criada por baixo e bateria. Backing vocals precisos um refrão envolvente me fazem lembrar não apenas do Toto, mas também dos melhores momentos solo de Peter Cetera, circa 1988. Ouça em volume máximo e sem a menor moderação para tira suas conclusões. Em seguida temos a excelente "Time", rocker caprichado e que traz um baixo evidente em primeiro plano acompanhado por guitarras e piano, enquanto "Stop The World" traz uma sonoridade mais pesada, mas não menos melódica, e uma vez mais com claras referências aos bons sons do Toto no fim da década de 90. Dois grandes momentos do álbum que merecem múltiplas audições e volume máximo.

"Lift Away The Fear" é uma balada mergulhada no mais tradicional westcoast, com baixo assumindo a ponta e criando a base por onde surgem guitarras pontuais acompanhadas pela bateria discreta em segundo plano, enquanto a linda balada "Angels From Heaven" traz um arranjo mais contemporâneo e que me faz lembrar dos bons sons de Richard Marx, circa 1997, muito por conta da bateria e da guitarra acústica. Dois grandes momentos do álbum, merecedores de múltiplas audições e volume máximo, exatamente como acontece com "Blind Devotion" e "Underground", dois rockers com explícita influência do Toto mas muito diferentes entre si, com estruturas melódicas bastante diferentes entre si, um detalhe vital e que só faz recomendar múltiplas audições e volume máximo, como de costume.

O grande Charlie Giardina, circa 2018
Em resumo, caríssimas e caríssimos, Charlie Giardina deixa claro com "Dreamland" que a qualidade e aversão ao óbvio são características inerentes à sua música. Em seu primeiro álbum solo, o argentino mostra versatilidade não apenas como músico e intérprete, mas principalmente como compositor, criando canções envolventes e impactantes com a mesma desenvoltura, sem sacrificar, em momento algum, os detalhes que enriquecem a sonoridade que o caracteriza.  Se você busca qualidade e a saudável fuga do óbvio (seja em relação ao aspecto puramente musical ou àquela nociva compressão recorrente em quase tudo o que se ouve no cenário rocker atual), Charlie Giardina pode lhe surpreender de maneira singular com "Dreamland", um dos melhores álbuns que ouvi nos últimos anos.. Um belíssimo trabalho e que merece um lugar em sua coleção...

CHARLIE GIARDINA - Dreamland
Released independently on April 26th, 2018
Cat. # not available

Tracklist
01 Back To Life
02 Don't Give Up The Hope
03 Feels Like Rain
04 Reaching For The Sky
05 Time
06 Stop The World
07 Lift Away The Fear
08 Angels From Heaven
09 Blind Devotion
10 Underground

Musicians
Charlie Giardina: vocals, acoustic guitar, bass, programming
Guitars: Michael Thompson, Bruce Gaitsch, Javier Viñas, Silvio Furmanski, Alan Sosa, Ariel Colla
Bass: Leland Sklar, Jorge Casas
Keyboards: CJ Vanston, Guillermo De Medio, Leonel Duck
Drums: Herman Furin, Edu Giardina, Emiliano Gimenez
Programming: Guillermo De Medio
Backing vocals: Magnus Midelf, Edu Giardina, Richard Pittman, Novak Kneeland, Kristina Kay

Nenhum comentário:

Postar um comentário

BREAKING NEWS

* Os alemães da Mad Max anunciam o lançamento de "35" - seu primeiro álbum desde 2015 - para o dia 10 de Agosto, via SPV/Steam...