domingo, 31 de outubro de 2010

ENTREVISTA EXCLUSIVA COM MARCIE FREE

Uma das entrevistas que mais aguardei ao longo de 2010 foi esta, com Marcie Free. Não só por ser fã incondicional da Unruly Child e dos vários projetos por onde ela - quando ainda atendia pelo nome de Mark Free - transitou, mas pela vasta quantidade de assuntos que poderiam ser abordados.

Como já mantinha contato com ela há algum tempo, decidi desde o princípio não abordar a questão de sua mudança de sexo por dois motivos muito simples: o foco da entrevista seria seu trabalho no universo dos bons sons ao longo dos anos e, ainda, o retorno da Unruly Child, fato que originou toda a conversa.

Como sempre, procurei abarnger todas as fases de sua carreira, buscando detalhes - mesmo que de forma concisa - dos álbuns onde participou para trazer à vocês o máximo de informações a respeito dessa grande vocalista que, pela primeira vez concede entrevista para a Terra Brazilis.

É com muito prazer que trago para vocês, exclusivamente na AORWatchTower, a entrevista com Marcie Free.
Enjoy...

01. Você começou sua carreira no King Kobra, uma banda que ainda é citada como uma das melhores no cenário AOR. Como a banda se formou?


Marcie Free: Quando me mudei para Los Angeles, em 1979, eu estava emu ma banda com um guitarrista de Las Vegas – para onde havia me mudado – chamado Ronnie Mancuso. Ele montou a Beggars And Thieves. Enfim, poucos anos depois de seguirmos caminhos diferentes ele estava em uma sessão de gravações na Pasha Studios e Carmine Appice estava trabalhando lá em um álbum da Vanilla Fudge. Carmine estava procurando por um vocalista para cair na estrada com ele e Rick Derringer na banda DNA. Ronnie me recomendou a Carmine. Isso foi no outono de 1983. Carmine acabou tocando com Ozzy Osbourne mas foi demitido no início de 1984. Quando voltou para casa me ligou e me disse que queria montar uma banda comigo. E começamos a procurar outros músicos.

02. King Kobra lançou apenas dois álbuns:: "Ready To Strike" e "Thrill Of A Lifetime". Apesar de serem ambos excelentes trabalhos, "Thrill Of A Lifetime" tem um approach mais tradicional do que o primeiro álbum, não acha?

Marcie Free: Sim, mas não sei exatamente o que você quis dizer com ‘tradicional' (Risos)

03. Entre todas as grandes canções daquele album, claro, a mais conhecida é "Iron Eagle (Never Say Die)", que fez parte da trilha sonora do filme homônimo. A canção foi encomendada especificamente para o filme?

Marcie Free: Nosso co-produtor Dwayne Hitchings foi co-autor da canção e sabia que a Capitol Records planejava lançar a trilha sonora daquele filme. Ele e nosso managaer na época, Alan Miller, pediram à Capitol para que usássemos a canção em nosso próprio álbum. Foi tudo arranjado nos bastidores. Eu concordei com tudo porque meu único interesse naquilo tudo era cantar a canção. A oportunidade de conhecer e atuar no vídeo ao lado de Lou Gosset, Jr. Foi algo que nunca esquecerei e serei sempre grata por isso. Ele é um ator inspirador e uma grande pessoa. Tenho muito respeito por ele.

04. Infelizmente, o King Kobra se desmanchou pouco depois. O que aconteceu, na verdade?

Marcie Free: Éramos jovens e aquele foi nosso primeiro contrato. Carmine e o grupo de pessoas com quem ele se associou - como Spencer Proffer, entre outros - eram veteranos no negócio e basicamente se aproveitaram de nossa ingenuidade. Quando fiquei um pouco mais esperta percebi que não havia possibilidade de ganhar dinheiro no futuro. Johnny Rod deixou a banda para ganhar U$800 por semana tocando com o W.A.S.P. e Carmine e os guitarristas Dave e Mick queria levar a banda para uma cena mais sleaze metal. Eu queria levar a banda em uma direção mais melodic rock. Então havia uma grande diferença na visão que tínhamos para a banda que me faria seguir com o que os outros queriam ou me faria brigar pelo meu ponto de vista. E eu não via como minha opinião poderia ser aceita e por isso deixei a banda. Não precisei pensar muito, sinceramente. Você precisa ser fiel às suas convicções. Era uma combinação ruim. Você vive e aprende.

05. Eu acho que a banda nunca o teve o devido crédito. Você pensa da mesma maneira?

Marcie Free: Não, na verdade fico feliz. Eu não teria sido feliz naquela banda por muito tempo.

06. Depois dos álbuns com o King Kobra, o próximo projeto com o qual você se envolveu foi o Arrival, com quem você gravou seis canções, até onde eu sei. O álbum, entretanto, só seria lançado em 2008.Quais as lembranças daquela época?

Marcie Free: Para mim o Arrival nunca foi verdadeiramente uma banda. Ric Podmore me convidou para cantar algumas canções e pagou para isso. Eu acho que ele tinha algum tipo de suporte financeiro para pagar minhas passagens aéreas para Denver para gravar com eles. Na verdade, não haviam outros integrantes da banda além desse cara chamado Charlie, a quem ele me apresentou como sendo seu guitarrista. Mas na verdade eu não lembro de tê-lo visto tocar. Enquanto isso, em Los Angeles, eu estava reunindo músicos que acabariam integrando o Signal. Tudo o que sei é que, anos mais tarde, eles lançaram as canções que gravei como sendo da banda Arrival. E veja quanto tempo isso levou. Eu não podia estperar tanto assim.
07. O projeto seguinte que você abraçou foi a trilha sonora do filme "Black Roses", em 1987, certo?

Marcie Free: Exatamente. Os produtores Alex Woltman e Elliot Soloman me procuraram para gravar aquelas canções e eu concordei. Me pagaram U$750. Eu conhecia Alex porque ele havia sido engenheiro assistente quando o King Kobra estava gravando seus dois álbuns na Pasha Studios. E foi só isso. Um trabalho pago que durou dois dias. Nunca foi uma banda como muitos ainda pensam.

08. Dois anos depois você retornou ao cenário com o Signal e lançou "Loud & Clear", sem dúvida um dos melhores álbuns de AOR do final dos anos 80. Há uma história de que era Peter McIan que tinha um projeto - que incluía Erik Scott (que acabou no Signal) - juntamente com o compositor Mark Baker e ambos precisavam de um vocalista. A história é verdadeira?

Marcie Free: Graças a Judithe e Robin Randall, eu comecei a gravar muitas demos para vários compositores em Los Angeles e meu nome começou a circular como sendo um dos melhores vocalistas no cenário. Foi assim que conheci Peter McIan, que poduziu o álbum "Business As Usual", do Men At Work. E ele estava trabalhando com Mark Baker. E ambos trabalhavam com Erik Scott e compunham com ele também. Depois de gravar algumas demos, eles acharam que seria uma boa idéia montar uma banda comigo. Peter, Erik e eu formamos o núcleo da banda, que tinha o nome de Fugitive Kind. E quando a coisa toda começou a tomar forma Peter decidiu que seria mais feliz apenas produzindo o material, e por isso deixou a banda.

09. Eu percebi que há muitos compositores que participaram do álbum, incluindo Mark Baker, Curt Cuomo, Bob Halligan Jr., Van Stephenson, David Roberts, John Bettis, Peter Glenister, além de você mesma. E, às vezes, a gravadora obriga a banda a gravar alguma canção. Isso aconteceu com o Signal?

Marcie Free: Sim. Apenas com uma canção, "My Mistake".

10. Seja como for, "Loud & Clear" é um clássico do AOR carregado de canções excelentes, e eu destacaria "Arms Of A Stranger", "Does It Feel Like Love?" e as baladas "This Love, This Time" e "Could This Be Love"...

Marcie Free: "Arms Of A Stranger" e "Could This Be Love" sempre terão um lugar especial em meu coração porque foram criadas a partir de algumas das minhas mais intensas relações amorosas que já tive e acho que jamais terei iguais na vida. Outras canções que gosto muito são "Go", "Wake Up You Little Fool" e "You Won't See Me Cry", já que minha ex-mulher Laurie me assistiu gravá-la no estúdio. Guardo aquele momento com carinho.

11. Ainda, Eric Martin participou em "My Mistake". Na época ele não era um nome de peso e tenho certeza de que a gravadora tinha muitas opções. Como Eric acabou participando do álbum?

Marcie Free: Nós gravamos a canção em Berkley, no Fantasy Studios. Nosso produtor era Kevin Elson. E Herbie Herbert - manager do Journey - era o manager de Kevin Elson e, adivinhe só, de Eric Martin também! Quando foi sugerida uma participação a idéia inicial era de que fosse um dueto, e Kevin sugeriu Eric. Como ele mora na região foi fácil traze-lo. Eu não conhecia Eric até aquele dia. E ele é uma ótima pessoa e um excelente vocalista.

12. Uma última pergunta sobre o Signal: com um álbum tão bom, é uma pena que a banda não tenha lançado um segundo trabalho. Por que isso não aconteceu?

Marcie Free: A banda perdeu seu representante na gravadora logo após termos conseguido nosso contrato e por isso nunca tivemos o apoio necessário ao final das gravações do primeiro álbum. A banda foi incluída entre várias que seriam dispensadas da gravadora antes mesmo de o álbum ser lançado. Nós até contratamos Herbie Herbert para ver se ele conseguia intervir com a gravadora a nosso favor. Mesmo com sua influência não foi possível evitar o pior. Os executivos estavam decididos e não havia como negociar. Mas foi bom para mim ter conhecido Herbie porque ele foi muito útil na época da Unruly Child.

13. Bem, depois do Signal, você gravou muitas demos e desenvolveu uma relação especial com Judith e Robin Randall, certo?
Marcie Free: Na verdade, eu estava disponível para gravar essas demos desde que cheguei em Los Angeles, em 1979, até 1995. Mas as coisas começaram a acontecer depois que conheci Judith e Robin Randall. Judith, que Deus a abençoe, me anunciou à todos os seus contatos e me recomendou à eles como sendo a melhor vocalista de toda Los Angeles. Ambos são anjos em minha vida, no sentido específico da palavra. Mulheres gentis, carinhosas, altruístas e que permanecem um um lugar especial em meu coração. Fiquei muito triste quando Judith faleceu há quatro anos. Eu ecnontrei Robin quando estive em Los Angeles em Janeiro em uma sessão de fotos para o novo álbum. Gostaria que morássemos mais perto para passarmos mais tempo juntas. Sinto muita falta dela.

14. Em 1990 você começou a formar a banda que se tornaria a Unruly Child. Como tudo aconteceu?

Marcie Free: Quando o Signal foi oficialmente dispnesado pela gravadora eu comecei a procurar outra banda. Os integrantes do Signal não queriam o levar para a estrada então sabia que aquilo não daria em nada. Enquanto estava no Signal eu recebi um telefonema de uma cara chamado Bruce Gowdy que tinha conseguido meu telefone com sua editora, Sherry Saba, que havia trabalhado com a Warner/Chappel Publishing. Ele queria me contratar para cantar algumas de suas demos. Quando fui até lá descobri que ele estava trabalhando com meu amigo de longa data, Guy Allison. Eu conheci Guy em 1979 logo que mudei para Los Angeles. Ele trabalhava com uma banda chamada Lodgic, na época. Eu sempre admirei muito seu talento mas não áquela época não foi o momento para trabalharmos juntos. O ano era 1991. Logo após eu gravar a segunda demo para eles nós começamos a falar sobre montarmos uma banda. Foi como encontrar dois irmãos depois de muito tempo. Eu amos ambos como familiares. Eu faria qualquer coisa por ambos. Eu pensei no nome Unruly Child quando estava no Signal. E depois que o Signal decidiu que não usaríamos mais o nome Fugitive Kind, ficamos sem nome algum por quase dois anos. E foi um executivo que sugeriu o nome Signal enquanto estávamos no estúdio gravando o álbum. Eu odeiei o nome logo de cara porque havia um enxaguante bucal com o mesmo nome. De qualquer maneira, eu tinha pensado em centenas de nomes como Unruly Child mas Erik odiava qualquer sugestão que eu fizesse sobre um nome. E quando sugeri o nome Unruly Child para Bruce e Guy ele adoraram na hora, e naquele momento me senti em casa.

15. E Unruly Child é um nome forte...

Marcie Free: Como eu disse, foi um de muitos nomes que eu tinha imaginado enquanto tentava batizar a banda que acabou sendo o Signal.

16. O álbum é excelente e, na minha opinião, o melhor trabalho da Unruly Child. Mas foi lançado em 1992, quando o movimento grunge começava a tomar de assalto o cenário musical. Tenho certeza deque o álbum teria sido ainda mais bem sucedido se tivesse sido lançado alguns anos antes. Você concorda, Marcie?
Marcie Free: Acho que sim. Mas acredto que tudo acontece de acordo com os planos de Deus. Foi difíciI acietar que as coisas são assim mas como tempo sua relação com Deus se aprofunda e e você aprende a não se deixar abater por coisas pequenas.Acredito que o novo álbum valeu a espera.

17. Você apareceu em dois álbuns da Unruly Child, mas o material de "Basement Demos" – como o próprio nome entrega – eram demos que traziam as versões originais de algumas canções que aparecem no primeiro álbum. Algumas delas soam muito doferente do resultado final, mas ainda sim são excelentes. O quer você lembra daquela coleção de canções?

Marcie Free:
Esse tipo de álbum é sempre muito apreciado pelo fãs. Tenho certeza disso porque adoraria ter esse tipo de material sobre dos Beatles ou Led Zeppelin quando eu era jovem. Nos colocamos no lugar dos fãs e pensamos...'e se fossemos eles'? É uma ótima maneira de deixar uma marca no tempo e de eternizar o momento.

18. E falando em fãs, o DVD foi um grande presente para todos nós. De quem foi a ótima idéia de incluir todo aquele material?

Marcie Free: A idéia foi de Bruce e Guy.

19. A Unruly Child seguiu em frente sem você, tendo Kelly Hansen e posteriormente Philip Bardowel como vocalistas. Entretanto, não há dúvidas de que a banda não era mais a mesma sem seus vocais. Você poderia me contar os motivos de sua saída da banda?

Marcie Free:
Eu precisava de um tempo longe de tudo e de todos, para me encontrar e me curar de toda a dor que tive que suportar enquanto crescia. A partir do momento que estava maduro o suficiente para sair de casa sempre estive em frente ao público. Eu mereceia aquele descanso havia anos. Agora que me encontrei posso me devotar à Deus, a mim mesma e a qualquer outra pessoa. Acabou sendo uma benção.

20. Em 1993 "Long Way From Love" foi lançado pela gravadora Now & Then Records. Outra obra-prima do AOR e sendo seu primeiro álbum solo eu imagino que tenha sido muito especial para você. Pessoalmente, quais as diferenças que você percebeu entre gravar um álbum solo e outro como vocalista de uma banda?

Marcie Free:
Levando em conta o fato de gravei as canções para aquele álbum ao longo de dois anos, não me pareceu que tinha gravdo um álbum propriamente dito. Como você sabe, aquelas canções eram apenas demos que visavam fazer com que os autores as tivessem gravadas. E tudo aquilo acabou se tornando uma ótmia maneira de dar algo queos fãs queriam havia tempo: mais de mim (Risos)

21. Ainda em 1993 você tocou no Gods Festival na Inglaterra e o show foi gravado e lançado como bonus disc na edição especial de "Long Way From Love", cinco anos depois. O que você lembra daquela apresentação?

Marcie Free:
Acredite, lembro da cada show como se tivesse sido ontem. Fiquei surpresa com a popularidade que eu tinha. Nos U.S.A. eu tinha a sensação de que todos os projetos de que participei haviam sido retumbantes fracassos. Nunca poderia imaginar que minha música havia tocado tantas pessoas de uma maneira especial. Adorei a noite que tocamos em Manchester e eu podia ver as pessoas cantando todas as canções. Acho que foi naquele momento que percebi: 'talvez eu seja uma rock star'.

22. Você lançou aquele sho em DVD de maneira independente através de seu website na época, não?

Marcie Free:
Sim, lancei mesmo. Na verdade a gravadora não tinha os direitos para gravar as canções que tocamos. Nunca concordamos com aquilo contratualmente. E eu queria dar aquele presente aos fãs antes que eles o fizessem.

23. Você retornou ao cenário em 1996, já como Marcie Free, com o álbum "Tormented" e que tinha um approach mais pesado. Você acha que as canções daquele trabalho refletiam, de alguma maneira, a situação em que você se encontrava naquele momento?

Marcie Free:
Sim, porque a Unruly Child tinha tido o mesmo destino que minhas outras bandas - King Kobra e Signal - e aquilo não foi fácil de assimilar. Eu acreditava muito que os integrantes da Unruly Child eram como meus irmãos. Eu não queria que a banda fracassasse e por isso fiquei muito brava. Mas muita daquela raiva era sentida por toda Los Angeles naquela época popr causa das revoltas em decorrência do ataque a Rodney King que praticamente deixaram toda a cidade queimando e sendo saqueada.

A questão sobre minha sexualidade também estava por vir a tona uma vez que não havia mais maneira de eu esconder quem realmente era. Bruce e eu basicamente tomamos controle sobre o processo de composição e nossos sentimenos deram origem a canções como "Tormented", "The Devil Knows Your Name", "Talk To Myself", "Get It Right", "Standing On The Wrong Side Of Love", e "Falling", que pareciam brotar de nossas almas como o rio Colorado em uma noite de enxurrada. As gravadoras estavam se matando para ver quem conseguia chegar até Seattle para contratar a nova estrela grunge. O melodic rock estava morto e entrerrado e bandas que se mantiveram fiéis a seus estilos foram declaradas velhas e jurássicas. As rádios americanas - ao contrário das européias - e de uma maneira geral, ao redor do mundo, seguiram a nova moda e não tocavam canções de bandas como nós.

Beau Hill - que tinha nos contratado para a Interscope - deixou a gravadora com o rabo entre as pernas por ser tachado de "old school". Um dos poucos que não seguia a moda do momento. Depois de sermos dispensados, permanecemos bons amigos e como bom amigo ele tentou nos ajudar a voltar ao cenário. E ele fez tudo o que podia, menos ser nosso empresário. E seus conselhos levaram a banda a experimentar uma sonoridade mais crua e tentar um contrato usando outro nome. Um deles era Twelve Pound Sledge, que também era idéia dele. Uma vez que percebi que os problemas relacionados a minha sexualidade estavam pondo um fima à minha carreira, eu precisava decidir o que faria da minha vida. E permanecer fiel às coisas em que se acredita é sempre a melhor saída. Desde que não machuque ninguém e nem quebre nenhuma lei, é claro.

24. Mas há canções com traços de AOR, como "Forever" e "Still Believe"

Marcie Free: Por muito tempo eu chorava quando ouvia "Forever". Essa canção sempre me lembrou de minha ex-mulher, Laurie. Ambas as canções são extremamente excelentes e são muito especiais para mim.

25. Bem, você ficou ausente por um bom tempo depois de tudo isso. O que você fez durante esse período, Marcie?

Marcie Free: Resgatei minha sobriedade e solidifiquei minha relação pessoal com Deus. Eu vinha apenas trabalhando e vivendo. Fiquei com minha família. Depois de completar 40 anos, eu percebi que amigos vem e vão, mas a família é para sempre e é a relação mais importante que uma pessoa pode ter. Eu estou tão feliz agora que não tenho palavras para descrever.

26. Então, em 2009, a comunidade AOR foi surpreendida pelo anúncio do esperado retorno da Unruly Child! E ainda melhor, com o lineup original!!! Como se deu a reunião?

Marcie Free: Há dois anos atrás recuperei minha sobriedade. Um dos muitos milagres que aconteceram simplesmente por eu estar longe das drogas foi desenvolver uma relação pessoal com Deus, ou como algumas pessoas chamam, com "o poder superior". Parece um conceito simples para alguns, mas para mim foi uma longa e penosa jornada. Por muito tempo me odiei e tudo a meu respeito e por tudo isso achava difícil que houvesse um deus que me amasse. Aquilo parecia impossível. Depois que deixei Deus entrar em meu coração outros milagres aconteceram. Um deles foi que Bruce e eu voltamos a nos falar depois de muitos anos de silêncio entre nós. Uma vez por mês tínhamos longas conversas por telefone e falávamos sobre a possibilidade de montarmos uma banda. Duas semanas antes de Bruce me perguntar se eu tinha interesse em assinar um contrato com a Frontiers eu estava fazendo minha oração matinal.

Foi providência divina, tenho certeza disso. Depois que eu concordei, Jay e Larry aceitaram imediatamente. Como eu disse antes, amo estest caras como membros de minha família e faria qualquer coisa por qualquer um deles. Tenho orgulho de estar em uma banda com eles.

27. Este é um novo começo para a banda ou um projeto para apenas um álbum?

Marcie Free: É um novo começo. Para sempre, no que diz respeito a mim.

28. Posso tranquilamente dizer que "Worlds Collide" foi um dos álbuns mais aguardados de 2010, sem nenhuma dúvida. O que você achou do resultado final?

Marcie Free: Todas as canções são excelentes! Tudo novo, nada de arquivo sendo relançado.

29. O que você pode falar sobre o tracklist?

Marcie Free: Bem todas as canções são novas. Eu escrevi "Show Me The Money" com Bruce, e também escrevi "When Worlds Collide" com Bruce e Guy. A esposa de Guy nos ajudou com as letras também. Escrevi "You Don't Understand" sozinha, em 15 minutos. Um verdadeiro presente de Deus. Mas tenho que dar todo o crédito a Bruce e Guy pelo maravilhoso trabalho com o arranjo da canção.

30. E quem ficou encarregado da produção?
Marcie Free: Bruce e Guy tem todo o crédito da produção. Eu porduzi meus vocais já que os gravei em meu estúdio em Michigan. Foi como um sonho para mim.

31. A reunião com a banda foi fácil, Marcie?

Marcie Free: Realmente acredito que a reunião da Unruly Child não foi acidental. Acredito ter sido providência divina, algo que deveria acontecer. Foi como voltar para casa depois de muito tempo longe. Me senti muito confortável.
32. Qualquer fã de AOR conhece a Unruly Child, mesmo que só por nome. Como você vê essa nova geração de fãs que só agora, ou recentemente, descobriu o AOR e, consequentemente, vocês?

Marcie Free: Estamos muito animados com isso. Receberemos todos de braços abertos. Mal posso esperar para vê-los juntos em nossos shows.

33. A banda fará uma tour para divulgar o novo álbum?

Marcie Free: Estamos encorajando os promoters a nos contatarem através de nosso website, www.unrulychild.net. Estamos planejando seriamente alguns shows e tentaremos fazer com que isso realmente aconteça. Eu adoraria gravar álbuns durante o outono e inverno e fazer os shows na primavera e verão, para encontrar os fãs.

34. O Brasil tem recebido grandes shows de AOR/Melodic Rock nos últimos anos e a Unruly Child tem uma cota significativa de fãs por aqui. Já que você prefere fazer shows no verão, que tal alguns aqui, no ensolarado Brasil?

Marcie Free: Nós simplesmente adoraríamos.

35. O mercado mudou drasticamente ao longo dos anos e hoje o AOR/Melodic Rock é muito forte nos mercados europeu e japonês, mas ainda não nos U.S.A. . Qual sua opinião a respeito?

Marcie Free: O que é estranho aqui nos U.S.A. é que sempre estão procurando pela nova moda. Mas acredito que o mercado reencontrará o AOR/Melodic Rock já que este provou ser o único tipo de música que mantém o público interessado há muito tempo.

36. Eu lhe fiz essa pergunta porque muitos artistas estão retomando suas carreiras, o que é uma ótima notícia. É fácil criar uma lista de nome sconhecidos que lnaçarão ou ainda lançarão novos trabalhos...

Marcie Free: Minha filosofia sempre tem sido nunca esperar nada e sempre torcer pelo melhor. É só isso que podemos fazer. Façamos o que gostamos de fazer e que façamos bem.

37. Ainda falando sobre o mercado, a internet tem se consolidou como uma poderosa ferramenta para promover qualquer tipo de trabalho. Mas como uma faca de dois gumes, existe um lado negativo - no caso, para os artistas - que é a pirataria. Há alguns artistas/bandas que incentivam seus fãs a fazerem download de suas músicas e até mesmo gravar seus shows para distribuição como bootlegs. Qual sua opinião sobre isso?

Marcie Free: Logicamente não apoio esse tipo de atitude de bandas e fãs. Só porque você pode fazer uma coisa não significa que deva fazê-la. É isso que deveria nos separar dos animais. Não deveríamos jogar sob as mesmas regras? Se não, tudo vira anarquia, e ninguém ganha com isso.

38. Marcie, alguma declaração para seus fãs no Brasil?
Marcie Free: Gostraia que nossos fãs no Brasil soubessem que temos conhecimento de seu apoio ao longo dos anos. A internet e as inúmeras cartas que recebemos nos inspiraram muito, e mal podemos esperar para irmos até aí e vê-los em breve.

39. Marcie, uma vez mais, eu lhe agradeço pela oportunidade de conversarmos sobre tantos assuntos. Foi um verdadeiro prazer falar com uma das maiores vozes do universo AOR.Lhe desejo ainda mais sucesso, se é que isso é possível. E vida longa a Unruly Child!

Marcie Free: Eu é que lhe agradeço Juliano, e a AORWatchtower pelos momentos divertidos e pelas perguntas interessantes. E também pela oportunidade de me comunicar com nossos fãs. Que Deus os abençoe todos e espero vê-los em breve.

8 comentários:

cdsef disse...

Excelente entrevista. Abordou quase tudo sobre a carreira desse grande nome do AOR. Parabéns !!!

Unknown disse...

Alguém poderia perguntar
para Marcie se existe shows ao-vivo
do King Kobra, tirando aqueles bootlegs
ruins que circulam pela net :D

Unknown disse...

ah ótima a entrevista!
Acho que a melhor que li
dela atén então =)

DEEMON disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Daniel Punisher disse...

Mestre(a).
Parabéns juba!

Anônimo disse...

Not so long ago I downloaded a pop album by Mark Free titled “Now’s the time” and also I’ve been listening to his demos on youtube and I must say I was blown away by such great pop songs especially his ballads. Mark has an amazing powerful voice that shines and knows how to melt someone’s heart, especially on the song “Never Alone” which shows how high his vocal range is.

I’ve ordered the album “Now’s the time” and now I can’t wait for it.

The song “Cry of passion” is a KILLER and it reminds me so much of the 80s era.

Juba, thanks very much for broadening my taste. I owe you buddy!!!!

Anônimo disse...

I also forgot to mention, his pop demos are KILLERS. Almost like David Roberts!!!!

Anônimo disse...

Having just received and listening to his demos cd and his pop album "Now's the time", I can say KILLER all round and what a powerful voice he has. It would be fabulous if Mark and Jimi were to create an album together.

I do hope that Mark will produce more material in the near future.

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